sábado, 22 de dezembro de 2012

Equívoco

Agonizo e grito, em silêncio. Espero que a saudade passe. Quero-te nos abraços como quero um agasalho em dias frios; preciso-te.
Agora é só esse tempo que não passa. Posso apenas imaginar o seu vestido esvoaçando pela casa, enquanto andas de um lado para o outro, esperando algo ficar pronto na cozinha. As bochechas que coram com o beijo do Sol pela manhã. Posso apenas e somente criar a utopia dos teus lábios cheios nos meus antes de deitar.

Tempo, és cruel!
Transformaste meu doce em fel;
Tiraste de mim o amor
E prometeste logo passar.

Tempo, és sádico!
Apunhalaste-me com ponteiros;
Não aceitaste nenhum dinheiro
Para fazer-te logo passar.

Ainda fizeste-me versar no passado.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ruim

És a praga da minha plantação; és o eclipse do meu Sol; és minha criança sequestrada; és o câncer dos meus pulmões cinzentos; és tudo de ruim.
És o acorde errado na música certa; és a fome de minha África; és o barulho da minha biblioteca; és a dose errada de morfina.
És a bala no rosto do inocente; és o fósforo que pôs fogo no Inferno; és a tesoura nas asas do meu Anjo de Guarda; és a chuva das minhas férias de Verão.
És o rasgo na folha do poema; és o ferrão da doce abelha; és uma das mil substâncias tóxicas do cigarro; és a metrópole da minha colônia.
És o vício da minha alma fraca; és o mofo das minhas fotos felizes; és a tarja preta das minhas pílulas matinais; és a erva daninha do meu jardim.

És a discórdia na minha paz celestial.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mercuriana

Trouxeram-me um presente de outro planeta. Mercúrio, talvez... Não sei ao certo. Daqui, dessa Terra estranha, com toda certeza, não é. Bom demais para ser terreno.
De lá veio para mudança; para mudar o que já foi decidido há tempos. Veio impor gostos e acrescentar conhecimentos de um mundo que ainda hei de conhecer.
Existência duvidosa, essa. Quem diria que no meio de uma confusão de palavras erradas e pessoas de gostos tortos, pousaria um disco voador na minha frente com a mais bela das marcianas. Pronta para vida como nenhum terráqueo jamais esteve.

Receber-te-ei bem, viajante planetária. Deixa eu te mostrar esse Planeta, enquanto me ensinas os segredos das mil e uma galáxias que já visitaste.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Vem!

Pega um avião;
Chama um táxi;
Dê sinal para o ônibus;
Te apertas no trem;
Acelera esse carro;
Pedale com força;
Corra o mais rápido que puder;
Lote teu corpo com ar e nade;
Flutue;
Voe;
Plane;
Te teletransportes, se preciso for;
Contanto que chegues, não me importam os meios. Vou aí te buscar, se for o único jeito.

Não me venha com rapidez, só para meio café requentado. Vem para demorar e não ir mais embora.

Por Favor

Preciso te ver. Preciso ver se teu abraço encaixa no meu e se teu beijo foi feito para mim. Preciso te provar para ver se é o meu número. Preciso colar meu corpo ao teu para ver se és minha outra metade perdida por aí.
Chega logo. Vem, que já não aguento mais esperar. Vem, que eu já estou me desfalecendo de solidão. Deixa eu provar do seu amor logo, ma belle. Por favor.

Por favor, meu amor, eu tô implorando!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Se "Amor" Rima Com "Dor", Não Deve Ser Em Vão

O amor vai aumentando e acabando. Nos corrói por dentro na mesma medida em que vai mudando nossa forma de ver o mundo.
Nosso coração muda de peito no abraço e nossos lábios se misturam no beijo. Se eu olhar no espelho, me verei contigo. Não terei mais como viver sozinho.
O amor vai aumentando e nos destruindo. Se hoje nosso castelo desmorona, é porque a construção já está pronta.

Depois do fim, meus amigos, não existe alguém feliz. Não existe ninguém. Existem duas pessoas misturadas, com manias e desejos do outro, chorando, perdidos, sem saber por onde andar. Pessoas que partilham lugares favoritos aos quais jamais voltarão.
Aquele parque, outrora uma segunda casa, se transforma num inferno de lembranças. Aquele café, com cheiro de bom dia, vira veneno para a mente quebrada.

Amar é fazer mal a si mesmo com a melhor das boas intenções.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Nômade

Sou nômade entre os tempos, mundos e corações. Não tenho lugar para chamar de lar, mas qualquer canto é uma casa para onde eu possa voltar.
Me chamam de volúvel, de medroso, de inconstante... Mal sabem os tolos da deliciosa sensação de ser do mundo e de todos. Mal sabem que o amor está em todo lugar e cabe a nós sentir cada faceta dele.
Nem sempre me aceitam, mas sempre aceito a todos. Afinal, de coração aberto sigo a vida, em busca de espaço por todos os cantos dessa Terra redonda.

Deixe-me entrar. Só vou demorar se me permitir ficar.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Passado

No início dos tempos, o mundo era uma coisa só. Não existia Ásia, África, América nem nenhum tipo de segregação. Éramos apenas o mundo, existindo.
Com o tempo, da forma mais natural possível, tudo foi se separando. Tudo foi tomando seu próprio rumo e deixando as origens para trás.
Milhares de anos depois, tudo está distante demais, separado demais, sem nem saber o quanto é bom estar junto.

Olhe só para nós: já estivemos tão juntos que nosso coração era um só. Hoje, nem sei por onde andas. Fomos nos separando natural e gradativamente, como o mundo já fez um dia. Isso tudo aconteceu embaixo do meu nariz.

Em cada beijo não dado, senti a boca amarrar;
Em cada abraço apertado, senti a necessidade gritar;
Em cada dia separado, senti a saudade aflorar;
Em cada olhar apaixonado, senti o peito inchar;
Em cada riso de bom grado, senti uma lâmina me gravar;
Em cada eu te amo suspirado, senti o dor se formar.

Durante a tua partida, eu senti que não seria mais o mesmo. Sabia que a dor seria demasiada e não iria embora logo e que a falta seria minha fiel companheira. Eu sabia porque eu vi isso nascer, assim como vejo em tantos outros casais. O amor é uma droga letal, meus amigos, sem a qual não vivemos; e como tal, um dia ela cobra o preço pelos momentos bons que nos proporcionou.
A diferença do amor para o crack é que quando abusamos do amor e sofremos com suas nefastas consequências, sabemos que vale a pena e faríamos tudo de novo.O amor é uma droga sem receita e que lei nenhuma há de proibir. Ame apesar da dor

sábado, 1 de dezembro de 2012

Com Pesar

É com pesar que dormirei sozinho, como em todas as noites da minha vida. É com penar que me perco na imensidão dos lençóis, como em todas as noites da minha vida. É com um ar familiar que perco o sono, transformando cansaço em mais uma noite mal dormida. É com falta de ar que batalho comigo mesmo por espaço na minha cama de solteiro. É com um relógio a tilintar que conto as horas insones que não passam. É com uma alucinação com o mar que transformo a escuridão num transparente que reflete o azul dos olhos sem dona, que flutuam pela minha mente. É num sexo sem par que descansa o corpo sozinho.

Dormirei sem ela, acordarei sem ela. Viverei sem ela até o ano novo raiar, como em todos os anos da minha vida.

Com pesar,

Pierrot.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

De Longe, Eu Nunca Fui Daqueles Que Fazem Sentido

Escrever-te-ei, moça de longe, singelos versos sobre nada. Nada que, eu sei, transmutar-se-á em tudo. Tudo o que eu procurei noutros corpos castos que não o tinha para oferecer. Ofereça-me amor que aceitarei de bom grado.
Depositarei em ti a esperança que julguei perdida. Deleitar-me-ei nos escândalos de sua vida para, assim, deixar seu mundo de pernas para o ar.
O que tens a dizer, moça de longe? Diga o que quiser, apenas não diga que não faço sentido. Isso já sei há tempos e não vou mudar. Apenas quero que me digas se vai ou quer ficar!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Viagem I

Desejo o novo como quem vê o mar pela primeira vez. 
Quero morar nas ondas e construir um refúgio na areia fofa dessa praia que me apresentaste. Esqueci da tão maravilhosa sensação de voltar para casa. Não vou mais voltar.
Deixa eu nadar e construir nova vida; deixa eu viver do que a natureza me oferece. Deixa eu sentir teu coração bater junto ao meu, em uníssono.

Não penso em mais nada desde que a vi pela primeira vez. Não quero voltar a raciocinar. Minha casa, ma belle, agora é o teu mar.

domingo, 11 de novembro de 2012

Sobre Ela (de novo)

Tenho lembranças boas. Sinto uma saudade absurda do dia em cada uma delas foi criada. Mas e se eu sofrer um acidente horrível e bater com a cabeça no chão? Quem é que vai me lembrar do quão feliz eu já fui ao lado dela? Quem vai me convencer que aquela que hoje nem lembra que eu existo jurou não mais viver sem mim? Me diz, Deus, quem é que vai repetir até eu acreditar que aquele coração já foi meu lar? De todos os meus amigos, qual vai querer que eu me recorde que a Lua me fazia lembrar dos olhos dela?
Não tenho uma foto sequer. Nem dessas que as pessoas tiram sem a gente perceber, enquanto conversamos. Isso é muito triste. Muito.
Não tenho nem mais um bilhete, uma carta. Queimei tudo na Santa Inquisição da minha vida. Tudo que eu tenho - sabe-se lá por quanto tempo -, pequena, é minha mente e uma porção de feridas, que eu não deixo cicatrizar por medo de te esquecer.

É isso, então. Eu não quero te esquecer. Sem você na minha memória, a vida não tem graça nenhuma. Sem o seu vermelho, minha vida é um filme mudo em preto-e-branco.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sexo Lírico

Roda o Vinícius na vitrola e apaga essa luz, que hoje vou te enxergar com as mãos.
Tira a roupa antes que a penúria de ti me assassine.
Arrepia meu corpo com tua boca de rosa.
Deixa eu ouvir o som dos sete mares ao encostar a ouvido em teu peito.
Pode gemer e suspirar, que eu juro entender o que tens a me dizer - que deve ser a mesma coisa que eu: te quero. Ou melhor, te preciso.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Desabafando Sem Fazer Sentido

Tenho vivido uma intensa saudade. Não sei bem se é de ti, de nós; do que eras, do que éramos; do que poderias ser; do que poderíamos ter sido. Só sei que a saudade aperta e logo vou explodir.

"Se eu explodir, diga que vem me visitar, para juntar os pedaços de mim."

Não conheço-te mais... Não sei o que faz teu riso existir, nem em qual sentido tua vida anda. Não sei se teu abraço tem o mesmo calor, ou se teu beijo já encontrou molde perfeito noutros lábios. Desconheço o paradeiro dos teus pensamentos que sempre sincronizavam na frequência do meu rádio.
Não conheço-te mais, mas queria conhecer - de novo.

Eu queria bater na tua porta e entrar na tua casa. Sentar na tua cama e entrar na tua mente. Dormir no teu peito e eternizar-me em tua alma. Mas, mais do que esses desejos piscianos, eu queria que alguém me dissesse o porquê de você não ir embora desse lugar frio e chuvoso que é a minha mente. 

Por que eu não posso deixar-te para trás sem pestanejar? 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Saudade

É amor porque dá saudade. Saudade que não avisa quando vem, nem bate na porta antes de entrar. É uma saudade que já é de casa. Tira o sapato, vai na cozinha, abre a geladeira. Se estica no sofá, liga a TV...
É amor porque nunca foi embora.

É amor porque eu te amo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Fascínio

Meus olhos transmutaram-se ao encontrar os teus. Os meus, castanhos por natureza, navegaram pelo teu azul, sem ter destino certo. Yemanjá me disse que jamais vira tanto fascínio!
Minha mente confundiu-se no prazer. Tuas magníficas palavras foram como beijos selvagens; tua conversa levou-me ao prazer sexual.

Meu peito sorriu ao ver-te sorrir.

Meus ouvidos também confundiram-se com o som da sua risada; nela encontrei a nota que faltava em minha sinfonia.

"Teu corpo é luz, sedução,
Poema divino, cheio de esplendor.
Teu sorriso quente inebria e acontece;
És fascinação, amor!"

domingo, 7 de outubro de 2012

Te Querer

Quero jantar com você.
Quero te levar pra casa.
Quero fazer um café para nós.
Quero conversar até altas horas.
Quero abrir um vinho na madrugada.
Quero ouvir música de qualidade.
Quero fazer amor ao nascer do sol.
Quero cochilar com você nos braços.
Quero acordar com seus olhos em mim.
Quero sorrir com os lábios em você.
Quero você.

Mas antes, amor, me diz: quem é você?

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Bicho Homem

Dia de cão. Nada colaborou para que eu pudesse sorrir. Acho que eu só precisava dormir...
Escadas infindáveis à minha frente. Desci-as em desespero, como se labaredas estivessem tentando me pegar pelas costas. Ao final delas, uma porta giratória, que eu carinhosamente chamava de "escape"; saí.
Era noite. Ali, no centro da cidade, bêbados e andarilhos já disputavam lugar para deitar. Procuravam, também, algo para lhes proteger do frio; vesti meu casaco.
Senti medo de ser como eles: sem rumo, sem vontade. Sem família, sem dinheiro. Sem casa, amor ou braços para onde pudesse voltar. Afinal, há quanto tempo eu já não sonhava?
O sono me fugiu. "Acho que não vou para casa...", pensei. Resolvi parar num bar (ou seja lá qual for nome que dão àquela espelunca).
Pedi algo forte para beber. Me trouxeram meio copo de uma bebida âmbar que eu não fazia ideia do que era. O gosto era horrível. Na verdade, nunca gostei de beber... Apenas paguei a bebida e fui embora.
Andando pelo cenário de destruição que é o centro da cidade à noite, uma sensação me tomou. Nenhuma palavra na minha língua poderia descrevê-la. "Wanderlust" foi a melhor definição que encontrei.
Para saciar meu desejo, andei. Andei, andei, andei.

Até hoje não para onde fui. Não sei de dobrei à esquerda e caí numa praça ou se segui reto até o fim do mundo. Só sei que nunca mais me encontrei.
Hoje estou mal vestido, de cabelo sujo, barba crescida e com um cheiro horrível. Bebo nas poças d'água que a chuva faz nas sarjetas. Não como há dias... Estou com frio, confuso e, por vezes, balbucio xingamentos ininteligíveis para mim mesmo, atraíndo olhares penosos e risadas. No que me transformei?

Será que alguém procura por mim? Alguém percebeu que eu nunca mais voltei para casa? Alguém me reconheceria se passasse por mim agora?

Perdi a guerra contra mim mesmo. Sem volta e sem revanche.

O Pierrot

... e o Pierrot se despediu da Colombina, em pensamento. Deixou-a seguir seu caminho atrás do Arlequim. 
... e o Pierrot largou seu mandolin e foi atrás da felicidade. Fechou a conta no bar e mudou de cidade.
Será que Pierrot será feliz?

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O RELÓGIO DA VIDA

Posso dizer que tive uma infância feliz. Dizem que fui uma criança bem bagunceira... Dessas que mexem em tudo que não é da conta delas; a verdade é que tudo que eu queria era devorar o mundo todo numa só mordida.
Me lembro que gostava muito de mexer em relógios. Estava sempre tirando-os das paredes ou dos pulsos das pessoas para vê-los mais de perto. Avançava-os, retrocedia-os... Os ponteiros ficavam sempre onde eu queria.
Sentia-me o senhor de todos. Era como se eu pudesse engarrafar o tempo e vendê-lo por aí. Eu poderia deixar meus pais na cama por mais tempo numa fria manhã de segunda-feira; como se eu pudesse retardar ao máximo a hora de ir para a cama; poderia dar aos meus avós a vida eterna. Se eu quisesse, toda hora seria meio-dia.

Cresci. Não uso relógio. Nem sei que horas são...

Tantos anos depois, vejo que não sou senhor de mais nada. Vejo que o controle da vida escorregou das minhas mãos, como seda em pele macia e eu nem reparei.
Em algum lugar, sei que há uma criança brincando com o relógio da vida, assim como eu fazia. Resta-me, então, torcer para que ele avance-o para um futuro mais feliz, para mim.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

MERCÚRIO QUE EU CHAMEI DE LUA

Na tua Galáxia, eu fui Plutão: O Planeta Rebaixado. 
Observava-te, Mercúrio, de longe; sonhando com o dia em que eu pudesse estar no seu patamar. Aparentas ser enorme, quando visto de longe. Apelidei-te "Minha Lua", em outrora. Brilhas demais!

Hoje descobri que não és tão grande assim; que não brilhas tanto assim. Hoje descobri que somos iguais, amor. Já não observo-te mais de tão longe, com tamanha súplica no olhar. Hoje miro-te diretamente nos olhos, como quem não vê fronteiras para tamanha adoração.

Hoje, minha Lua, sei que estamos ao lado do outro, em mente e coração. Somos iguais.

sábado, 22 de setembro de 2012

Chuva

Choveu, depois de muito tempo. O clima, antes tão seco, agora está mais agradável. Disseram que essa chuva veio do sul...
Eu estou seco por dentro, implorando por uma tempestade torrencial. Bem que o sul podia mandar uma para mim! Eu me molharia com todo o prazer. Dançaria na chuva e a deixaria lavar toda a sujeira da minha mente.
Mas, para a cidade do meu peito, não há previsão de chuva

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Tchau

Eu quis sentar, quis esperar. Eu quis te ver voltar, mas você não me deu razões pra isso. Você não me deu um motivo grande o suficiente pra me prender no seu mundo. Desculpe, amor, mas eu vou voar. Vou pra longe o suficiente pra esquecer que você um dia esboçou qualquer sentimento de mudança. Vou pra longe das tuas dúvidas e incertezas de matar qualquer pessoa decidida. Vou levar meus peixes pro mar, e deixar tua água doce serena, como deve ser. Tchau.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Amor, Parte I

Acho que é assim, o tal do amor. Não escolhe rosto, ideias ou jeito de falar. Desconhece corpo perfeito ou sorriso ideal. Não pensa em compatibilidade musical ou jeito de se vestir. O amor apenas acontece.
Amor verdadeiro desconhece fronteiras e distâncias; um amor de verdade jamais ouviu o som da palavra "impossível". Um amor desses dura para sempre, mesmo depois de acabar. Amor de verdade não apaga lembranças ruins, apenas maximiza as boas.
Amor verdadeiro não quer saber do tamanho da sua casa ou do quanto você ganha por mês. Amor de verdade é pele na pele, causando calafrios no calor do desejo; é não se acostumar nunca com a presença e sentir saudade sempre.
Amor verdadeiro é o que te faz sentir cheio, como se nada mais faltasse. Amor de verdade é aquilo que vem de dentro e transforma o teu jeito de ver o mundo que gira do lado de fora.
Amor verdadeiro não tem modelo ou receita para se seguir. É tão simples quanto um polinômio matemático e tão complicado quanto uma operação aditiva.
Amor verdadeiro é falar sem ter o que dizer. É sorrir sem motivo e agradecer por mais um dia de vida - mesmo que um dia meio sem graça, afinal, o amor é a graça.

O amor existe, sim. Se você ainda não o sentiu, ele ainda não te achou. Te prepara, pois tua hora vai chegar.

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer."

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Tempos

Gostaria que tivéssemos vivido nos anos 50. Eu te pagaria um milkshake, roubaria um beijo ou dois, bem rápidos, e dançaríamos ao som do rock'n'roll. Seríamos tão felizes que isso não caberia em nós.

Seria bom se tivéssemos vivido nos anos 60, também. Viveríamos sempre embriagados de amor e álcool e todos os ácidos possíveis. Cantaríamos "Help!", dos Beatles, bem alto, para espantar todo o mal.

Ah! E os gloriosos anos 70? Nós dançaríamos numa discoteca até cair, ou faríamos amor alucinados ao som de Pink Floyd? Faríamos tudo, ma belle.

Mas não. Estamos aqui, em 2012, sem saber o que vai acontecer. Eu aqui e você aí. Tão longe e tão perto do outro, sem poder fazer história e deixar as gerações futuras com vontade de ter vivido a nossa época.

Essa história ainda tá sem desfecho.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Mais Antigo Que Nossa Alma

Há quanto tempo nos conhecemos? Acho que já se foram alguns milênios desde que te vi pela primeira vez... Eu não lembro, mas minh'alma lembra. Só sei que não é dessa vida, não.
Há quanto tempo nos apaixonamos? Aposto que foi há muito tempo, numa Europa pré-Cristã, onde os homens eram tão bárbaros que não sabiam amar (mas nós sabíamos, ma belle). Nosso amor é mais antigo que a nossa alma.

Ninguém vai me convencer que essa é a primeira vida que eu te quero perto; ninguém vai me provar que não estamos aqui para continuar o que o tempo nos tirou, em outros tempos. Pode até demorar, mas nosso dia chega - como, tenho certeza, já chegou em algum dia do passado.

Podemos dar mil voltas no amor, mas na última volta ele nos ultrapassa e nos vence. Quando isso acontecer, a história vai se repetir e continuar. Vamos amar como nunca imaginamos ser possível; como John e Yoko; como Dom Quixote e Dorotéia; como Dante e Beatriz.

"Seríamos eu, você, e o resto é nada mais"

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A Criança e a Tomada

Sou uma criança; engatinhando pela casa, fuçando tudo que é novo, encontrei um quadrado em relevo na parede, que tinha algo como um focinho de porco no meio. Uma vontade súbita de sentir a textura daquilo me dominou. Levei minha mão em direção àquela figura atrativa e - como todos devem ter imaginado - levei um choque. Ah, mas como eu chorei! Gritei, esperneei, até que o susto do choque passou. Fiquei emburrado para o tal focinho de porco na parede. Voltei a engatinhar pela casa.

Não muito tempo depois, passei pelo mesmo lugar e vi a mesma figura que, ao invés de ter me causado repulsa, me atraiu novamente. Outra vez o choque, o choro, os gritos.

Com você é a mesma coisa: levo um choque, ando por aí até esquecer e te encontrar de novo; quando encontro, tudo é tão lindo que até esqueço o que me fez ir por aí, sem rumo. E é nesse momento que o choque vem - e vem forte. É como se eu estivesse submerso numa piscina e alguém jogasse um rádio ligado dentro (a única diferença é que eu sempre sobrevivo). Dói demais.

Mas, afinal, eu sou uma criança. Vou dar mil voltar por aí, até te achar de novo e levar outro choque. É como a tomada, mesmo: eu sei que dói, mas a vontade de te ter nas mãos é maior. É sempre maior.

domingo, 12 de agosto de 2012

(Des)conforto Caseiro

Te vejo como a minha casa, ma belle: o lugar onde eu mais me sinto confortável no mundo. Dou mil voltas por aí, experimento novas paixões, durmo em camas sem travesseiro, mas nada - repito: NADA - me faz sentir mais confortável do que estar perto de você, mesmo que tão de longe.

"Ah, mas isso é bom!", deves pensar. Não, não é. Esse "tão de longe" é o que acaba fodendo majestosamente com toda a metáfora. Longe não basta mais. Acho que nunca bastou.


Não me espere. Acho que não vou dormir em casa essa noite.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Heart on South

Foi quando andava pela rua, distraído, que encontrei uma figura familiar. Um rosto que há muito se instalara num quartinho dentro da minha mente, e por lá ficou. Foi ali, num ponto de ônibus qualquer que eu vi você, de relance.
Pisquei. Esfreguei meus olhos e, então, uma estranha se revelou. Mas os traços eram tão parecidos!
Meu coração, que chegou à boca, volveu ao peito, que é sua moradia devida. Meu olhar se desviou para outro ponto e tudo voltou ao normal. Inclusive aquela velha saudade que eu sinto de você...

... A saudade tá forte. Tá quase me fazendo voltar pro abismo que eu tanto penei pra sair. Não sumi por acaso, meu bem. Sumi por não querer aceitar o fato que você não iria voltar. Não agora, quando eu mais preciso de alguém como você aqui. Alguém que eu possa deitar no colo e fugir desse mundo que me desgasta.

Mas eu voltei - mesmo sabendo que você não vai voltar. Foi como uma alma sábia me disse: "Por medo de sofrer, tu já tá sofrendo.".

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Nonsense

Hoje te escrevo
Dessa noite, com frio;
Como um piano vazio,
Sem nota para tocar.

Me explico, tardio
Sem sentido algum;
Como um relógio sem ponteiros,
Sem tempo pra marcar.

Eu não sei me despedir,
Mas também não sei ficar.
No seu sorriso me perdi,
E descobri o que é errar.
Então, meu amor, perdoa!
Porque eu não sei amar.

Hoje descrevo
Do cinza as cores
Que o daltonismo
Nunca deixou-me enxergar

Só penso se vale
Essa pena toda procurar
Algo que não sei onde encontrar.
Algo que não se compra,
E que não se sabe usar - se é que usa-se.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Metrô

Eu vejo muitos casais infelizes. Está estampado no rosto de cada um deles que não existe um amor de verdade ali - se é que sabem o que é amor. Eu também não sei.

Tô numa estação qualquer da linha azul do metrô paulistano e tem um desses casais na minha frente. Enquanto ele fala de futebol, ela finge estar prestando atenção, quando, na verdade, está olhando para um ponto qualquer; enquanto ela fala sobre sua banda preferida, ele finge estar prestando atenção quando, na verdade, está olhando pro decote da mulher ao seu lado. Essas pessoas mentem umas para as outras. Elas fingem um interesse inexistente em troca de carinho ou sexo superficial, para, no fim das contas, acabarem ganhando atenção de estranhos, em mesas de bares sujos, enquanto contam o quanto dói o coração.

Eu não. Gosto de cada detalhe do seu dia, contados infimamente. Eu amo descobrir mais sobre o que você gosta; eu adoro te desvendar. Me encanto quando você fala toda e qualquer bobagem, e dou cem por cento da minha atenção pras suas palavras desconexas. Quero, realmente, ajudar se algo vier a lhe afligir. Portanto, ma belle, se eu bater na tua porta, vê se me deixa entrar, porque estou perfeitamente disposto a parar os ponteiros enferrujados do meu relógio enquanto você fala. É só me deixar entrar.

"Você vai me deixar entrar
(vai me deixar entrar)
Você vai me deixar ficar
Pertinho o ano inteiro"

Algum Lugar No Tempo

Pinta no teu céu
Algum motivo bem azul
Pra me fazer te esperar.
Porque no meu céu
As nuvens estão carregadas
Como armas, prontas para atirar.

E é nessa diferença
Que o destino faz presença,
Apesar das lutas ainda por travar.
Ainda terão mais mil histórias
Até a nossa - mais uma vez - se cruzar,
Para fazer um só fim
E finalizar a saudade duma vez!

Eu sei que vai arder,
Mas vamos conseguir.
Somos maiores que essas dificuldades,
E buscamos incansávelmente
A tal da felicidade -
Que se alojou nos braços do outro,
E fez do coração endereço
Para receber todas as cartas.

Será que eu mereço?
Acho que sim.
Afinal, se não o fizesse,
Por que sorririas para mim?

Então vê se abre logo essa janela,
Que meus gritos estão ficando roucos,
E teu nome tá sendo
Tatuado a fogo
Nas minhas cordas vocais,
Que cantam teu nome,
Num tom muito alto,
Há tempo demais.

Renascimento Natural

O brilho infindável das flores entra pela janela transparente, ressaltando o verde dos olhos que, no alabastro da pele, faz a natureza chorar de emoção.
O vento abala os supostamente inabaláveis galhos, fazendo-os tocar o vidro, levando as costas cobertas à aflição.
O cimento imóvel contrasta com a terra desvirginada pela chuva que, ao molhar o rosto, traz a realização.

Vem, natureza! Engole esse mundo! Leva-nos para onde devemos ir: de volta às raízes, onde o poder do amor é maior que o amor ao poder.

(Dezoito de Abril de Dois Mil e Onze)

terça-feira, 19 de junho de 2012

"Aquela Que Faz Os Outros Felizes"

Ei, por quê você está aí no chão, juntando esses cacos que cola nenhuma há de juntar?
Por favor, levante daí, que me parte o coração te ver numa posição dessas. Teus olhos curiosos e ternos tem que estar sempre olhando pra cima, onde tua amada Lua sorri pra você. Teu peito tem que estar estufado com todo o orgulho de quem sabe que perdeu a batalha, mas tem um plano infalível pra guerra. Eu sou a tua guerra, e já adianto: você venceu.

Ei, por quê você está aí na cama, coberta até o pescoço, ouvindo músicas que não lhe fazem bem?
Por favor, levante daí, que me parte o coração te ver usando tua poderosa mente contra si própria. Leve o teu corpo pro lado de fora dessa casa, que tem um Sol lindo querendo te abraçar por todos os ângulos e te aquecer - por dentro e por fora.

Agarra minha mão e vem ser feliz. Você merece e sabe disso.


domingo, 10 de junho de 2012

Você (olhos)

Um olhar e você se interessa. Fica uns bons dias olhando de longe, analisando e pensando em algo a fazer.
Você senta ao lado e puxa um assunto. Papo vai, papo vem, e as horas já correram de suas mãos.

Você fecha seus olhos e deixa aquele rosto entrar na sua mente. Tarde demais, você já mudou por dentro. Você precisa de mais horas com aquela pessoa.

Você rouba um beijo, e tem um beijo roubado. Você não tira isso da cabeça.

Você dorme e acorda com o gosto doce daquele beijo nos seus lábios; e a sua mente não pensa em outra coisa.

Você se envolve demais.

"Eu te amo."; "Eu também te amo.". 

Você discute por besteira; você briga, você grita, você chora e pede desculpas. E isso tudo vezes demais.
Você descobre uma mentira. Você mente; quando você vê, já não é mais como no início, em que tudo funcionava perfeitamente.

Você pensa; você não dorme; você se estressa.
Você coloca um ponto final.

Você sente a dor; você a vem sentindo, na verdade. 

Você olha de longe e lembra disso tudo. Dói demais.

Com os olhos começa, com os olhos termina.

Olhe pra mim, que eu tô olhando pra você.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Ela(?)

Deixa tua mão direita segurar a minha esquerda para, assim, caminharmos em direções opostas; deixa eu jogar as cinzas do meu carnaval de fevereiro nas flores novas da tua primavera de setembro. Vem, que eu juro que o sorriso não vai mais deixar teu rosto, e que as lágrimas que caem com frequência vão evaporar e viver com as nuvens, num céu longe da nossa felicidade.
Deixa eu olhar pra você e ver meu reflexo; deixa eu me inspirar nas tuas palavras, que teces feito uma aranha carinhosa com sua teia de sentimentos. Vem, que eu te quero feliz. Eu quero ser a mão pra você apertar quando o medo ameaçar se aproximar; meu bem, eu juro que não vou soltar.
Farei dos meus braços uma capa mágica, onde você poderá se esconder de tudo e de todos, sempre que quiser. Só me estenda a mão, sorria, e me deixe te levar.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Necessidades

  Tá faltando vontade de viver; tá faltando vida. Tá faltando amor, sexo, grana e um punhado de sorte.
  Estão faltando sonhos que não me acordem no meio da noite; tá faltando um abraço. Tá faltando um beijo e tá faltando uma alma gêmea. Tá faltando amor.

  Tá faltando um filme que não me dê sono; tá faltando um livro que eu possa terminar. Tá faltando educação e estão sobrando palavrões que eu julgava nem conhecer.

  Tá faltando frio - o calor me mata. Tá faltando um banho de mar. Tá faltando muita chuva pra me refrescar.
  Tá faltando uma voz doce pra chamar meu nome. Tá faltando coragem.

  Tá faltando criatividade. Me falta, em especial, o paradeiro dos meus versos.

  Falta muita coisa, mas me sobram amigos. Assim vou enganando as minhas necessidades.

terça-feira, 13 de março de 2012

Aqui

Tantas voltas que eu já dei...
Evitando o inevitável.
Foragido, burlo as leis,
Chorando no ombro da felicidade.

Por tantas estradas eu andei,
Desviando em linha reta.
Sem rumo, peregrinei,
Descansando na relva.

Vou achar um lugar,
E lá vou me sentir seguro.
De mãos dadas com a alma,
Vou transpor esses muros,
E serei feliz.

Tantas velas ascendi
Orando ao pé do altar.
A proteção que eu pedi
Nenhum anjo vai me dar.

E, mesmo assim, eu chorei
Até o corpo secar.
Num Pierrot me transformei,
E agora me jogo no mar.

Vou achar um lugar,
E lá vou me sentir seguro.
De mãos dadas com a alma,
Vou transpor esses muros,
E serei feliz.

Esse lugar é bem aqui.
Com você.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sem Sentido

  Preciso me mudar. Perder meus medos e inseguranças nesse mar de sangue que quer me engolir, de fora pra dentro. Que vontade de chorar.

  Me pergunto se eu consigo mudar. Sim, eu consigo, só que minhas pernas tremem nesse exato momento, só de imaginar. Eu preciso parar de pensar.

  Eu não tenho desculpa para os meus erros, e nem erros para me desculpar. Não sou perfeito, mas não sou demônio.


  Eu não sei do que estou falando.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Esquizofrenia II

  O tempo se congelou às quatro e dezoito da tarde, de uma sexta-feira como qualquer outra: tediosa e melancólica.
  As pessoas se imobilizaram, no lugar que se encontravam naquele momento. Com braços levantados, sorrisos estampados, caras de espanto, e mais algumas expressões indecifrávelmente comuns. Só eu me movia.
  Me senti numa daquelas super-produções do cinema estadunidense, onde o sujeito se encontra numa daquelas quimeras do tempo, e sozinho com o próprio pensamento; o que, para mim, é uma das piores torturas que podem ser aplicadas ao ser humano.

  Dentre aquela imensa multidão de corpos petrificados, um se destacava; uma, na verdade: ela paralisou em sua risada mais sonora, que escolheu como par o olhar mais expressivo. Afaguei aquele rosto - tão frio - com as costas da minha mão esquerda. A pele era realmente mais gelada que a prata fundida do anel que uso no meu dedo do meio.
  Segurei aquelas mãos fechadas, que pairavam no ar, como de quem quer socar; "mas socar com carinho!", era o que aqueles olhos de caramelo me diziam, sem palavras.

  Algo me dizia que o tempo ia voltar ao normal logo.
  Não sei ao certo se eu quero que o tempo passe... Não consigo me lembrar de nada mais lindo do que aquela garota - desconhecida - congelada, com meia dúzia de folhas secas ao seu redor, pairando no ar. Este humilde cérebro jamais esquecerá disso.

  Fui embora dali. Não queria que ela despertasse, e visse meu rosto transformado numa máscara de choro sem lágrimas.
  Tenho certeza que aquela pequena parcela de pele tocada por mim se enrubesceria logo. Ela, provavelmente, sentiria o carinho, e uma dose cavalar de paixão platônica.



  Eu não faço sentido.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Olhos

Eu acordo cansado e com olheiras,
Me perguntando quando eu dormi...

Ela acorda ofegante; foge dos sonhos
Pensando qual roupa vai vestir.

Meu café é forte e amargo.
Tomo sem açúcar, que é para despertar.

O chá que ela toma é oriental;
Com uma colher de mel, para harmonizar
Aonde que eu - tão certo - pude errar?
Aonde que eu - de olhos fechados - fui te achar?

O meu cheiro é de incenso e cigarro;
Passo perfume, e tento disfarçar.

O cheiro dela é de novidade;
Com um tom floral, para temperar.

Eu a olho, meio sonolento,
E ela diz que o charme é meu olhar.

Ela me olha tão profundamente...
E eu digo que esse olhar é de enfeitiçar.

Aonde que eu - tão certo - pude errar?
Aonde que eu - de olhos fechados - fui te achar?

Aonde que eu - tão certo - pude errar?
Aonde que eu - de olhos fechados - fui te achar?
Com todo esse encanto,
E muito mistério no olhar.

Labirinto

E cá estou: preso nesse labirinto,
E as ruas parecem iguais.
Graças a você estou preso à um instinto,
E não pareço capaz de me livrar.

Por dentro eu sou um animal,
E com vontade de gritar que eu...

...Estou preso num lugar distinto,
E as horas não querem passar.
A fumaça cobre o seu olhar tinto,
E mal podes observar que...

...Por dentro eu sou um ser lacrimal,
E não quero mais saber...

Achei a saída do teu labirinto,
Mas quem disse que eu quero escapar?
Vi uma bifurcação no seu caminho,
Mas quem disse que eu vou me virar?

Sou um anjo caído,
querendo te fazer voar.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ma Belle IV

  Eu fiz planos. Escrevi nossas falas exatas na minha mente; ensaiei nossas reações, e tudo o que deveria acontecer.
  Na hora todos os planos deram errado. Esqueci as falas, e eu não reagi.

  A tensão pairou no ar. Nos olhamos, de leve. Eu olhava, você desviava; e vice-versa. Você enrubesceu. Eu sorri.
  Nossos olhos se encontraram, e eu me deparei com uma alma. Não uma qualquer; uma alma imaculada, e louca para se juntar a outra. Parece que ela se sente sozinha...
  Minha alma a abraçou. E cá estamos, conectados pela alma.

  Durma bem, ma belle.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Incensando a Mente

  Sou um quadro em branco, de um artista que tem medo de errar...
  Sou um Pierrot, e a minha história é muito triste para contar.

  Sou tantas coisas,
  E ainda sou quase nada;
  Sou uma peça de teatro inacabada,
  E espero a atriz para me fazer acreditar.

  Serei tudo o que eu quiser,
  E não vou mais sintonizar na tua TV.
  Tenho muito o que viver
  Sem você pra me atrasar.

Ma Belle

  Eu a observo de longe. Vez ou outra ela retribui meus olhares. Ela sempre sorri pra mim.
  Eu a observo de longe, e logo a vejo caminhar, com calma (virtude atípica de seu signo) e elegância impecáveis.
  Vez ou outra ela percebe que a estou fitando, e faz pose, como se meus olhos fossem câmeras; mas eu entro na brincadeira, e a fotografo até o filme acabar.
  Tenho deixado-a ser minha modelo, e eu amo sua beleza.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Mais

  Faz frio, e a madrugada se instalou. Já rezei, e já tranquei as portas.
  Agora eu deveria estar dormindo, mas minha mente estava chamando esse pedaço de papel para uma pequena conversa.

  Ando pensando muito sobre o tempo, e sua maneira de se comportar. O tempo não passa quando nós queremos.
  Parece que eu me prostrei sob o ponteiro do relógio, que indica que são três da manhã, e por lá eu me congelei. Desde Agosto, eu diria. 
  
  Eu tô no meio de um drama de uma novela mexicana mal dublada, e algum filho da puta pausou no meio de uma cena de pura sofreguidão. Quase posso ouvir os violinos da trilha sonora...
  Tenho passado meu tempo quase todo torcendo para alguém avançar para a parte do 'um-ano-depois', mas pelo visto a minha audiência é composta, basicamente, por sádicos, que adoram assistir enquanto eu agonizo. Se o tempo passasse, eu já estaia na parte do 'felizes-para-sempre'. Estaríamos, na verdade.

  Na verdade isso não é novela, e eu não estou deitado num ponteiro de um maldito relógio. Tô só deitado no meu sofá, com insônia, rasurando um pedaço de papel, e morrendo de saudade. A única verdade é que nunca - em toda a minha não tão extensa vida - eu quis tanto que o tempo passasse. E só por isso o maledicente continua me deixando no mesmo lugar: nesse sofá vermelho, na minha sala iluminada. Com a paciência diminuindo, e o frio aumentando. 





  Revenez nous voir bientôt.







terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Medo, Você, Medo, Nós.

  Tenho medo. Medos, na verdade.
  Tenho medo de mim, e de você. Tenho medo, porque sei que posso estar esperando por um dia que não vai chegar. Tenho medo por nós. Pela ínfima possibilidade de estarmos perdendo um tempo valioso das nossas vidas, que já não são muito agitadas. Tenho medo do escuro, e medo de que você saiba.

  Tenho um medo enorme de que você passe reto por mim. Que não me reconheça, ou finja não me ver.
  Tenho medo que no dia que você chegar - se chegar - não saibamos o que fazer. Tenho medo de viver demais, e no fim das contas ter vivido em vão. Tenho medo de errar, e que você me veja errando... Quero acertar, e quero que meu acerto seja comemorado do seu lado. Com um abraço seu, e um daqueles sorrisos estonteantes e tão raros, que só você dá. Linda, menina. Menina linda.

  Tenho medo de você vir, e voltar.Tenho medo de ser pra sempre. Tenho medo de 'deixar rolar', e rolar junto. Tenho medo disso tudo virar uma bola de neve. Tenho medo de você nevar no meu calor, e me congelar. Tenho medo de mudar, e você estagnar. Tenho medo de estagnar, e você mudar. Se mudar. Nos mudar.

  Tenho medos demais para um texto só.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Incompleto

  Cê se perde na rotina, sabia? Cê acha que tá tudo indo bem, mas não tá. Na realidade, o mundo tá acontecendo e não tá te esperando. E o pior: você vê tudo por uma enorme janela, e se satisfaz, afinal, viver a vida cansa. Machuca. Entedia.

  Cê se vê fazendo as mesmas coisas todos os dias: acorda, escova os dentes, manda uma mensagem de texto para alguém; acende um incenso para sua santa, faz uma oração; come, fica na internet, lê coisas de pessoas depressivas; pega o violão, faz uma música. Quando cê vê, já virou uma pessoa depressiva a escrever coisas para as outras lerem. E isso já faz tempo.

  

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Último Suspiro do Amor

  E vejam só a novidade!
  Novidade que eu vejo nos jornais desde que as fotos eram em preto-e-branco. Fotos que hoje estão tingidas de vermelho. Meu sangue. Teu sangue. Nosso sangue, que caiu direto das veias de um amor que nasceu com data de validade, e que sabíamos que ficaria um longo tempo no hospital, agonizando. Há poucos minutos ele deu seu último suspiro, e estará nas manchetes pela amanhã, com um longo texto no obituário, escrito por mim: seu criador, e seu assassino.

  Mas eu olhei nos olhos desse amor, antes de matá-lo. Precisava de mais do que uma ou duas fotos em sépia: precisava da memória daquele último brilho nos olhos, antes do último eclipse daquela surrada lua.
  Gravada a imagem, fui embora. E não volto mais ali.

  Fique bem, meu amor, onde quer que esteja. Saiba que só te matei por não querer mais te ver sofrer; aguentarei esse carma sem reclamar, e pagarei por isso, se necessário. Essa é a vida.
  Não te preocupe, que eu sei que você vai renascer. Com certeza em braços mais saudáveis, e que saibam te tratar, como eu tratei.E que tenham a mesma disposição que eu tive contigo.
  Meu amor, eu te amei, e pra sempre vou amar; e como uma música qualquer já disse: "Em algum lugar do tempo, nós ainda estamos juntos. Pra sempre. Pra sempre ficaremos juntos."

  Adeus.