domingo, 27 de novembro de 2011

Pierrot; Colombina; Arlequim

  Estou interpretando o mesmo papel. De novo.
  O Pierrot correndo atrás da Colombina, que por sua vez, se joga aos pés do Arlequim.

  O Pierrot não cansa; afinal, na mente dele a Colombina é tudo. Mas e o que se passa na mente da Colombina?

  O Arlequim ama. Ama, sem saber amar; ama por paixão; por aprendizado de novela.

  O Pierrot tá sozinho; o Pierrot quer sumir; o Pierrot quer Colombina; o Pierrot quer sumir.

  A Colombina quer o Pierrot. Mas quer quando? Quer quanto? Quer como?

  O Arlequim não sabe o quer; há tempos que seu relógio parou.

  O Pierrot chora copiosamente - e sem motivo.

  A Colombina sorri; o Arlequim sonha.

  O Pierrot; a Colombina; o Arlequim.
 

Tempo

  Ela me disse para deixar o tempo passar. Estou deixando. Um dia por vez; uma hora por vez; uma eternidade por vez.
  De repente eu me pergunto: estou deixando o tempo passar para quê? O quê, exatamente, estou esperando que o tempo mostre? Eu não sei. Nem ela, provavelmente.

  No meu subconsciente, talvez, eu esteja esperando que esse lençol de dúvidas descubra esse espelho, e que eu possa me olhar. Que eu possa ver o que meus olhos querem dizer. Que eu possa ver qual o meu real desejo. Não que eu não saiba.

  O tempo é um anjo caído, brincando de ser Deus.