sexta-feira, 22 de julho de 2011

Yo y Tú

  Eu vou estar nos seus sonhos, e não vou te deixar acordar.
  Eu vou estar nos seus quadros, e não vou te deixar pintar.
  Eu vou estar no seu mapa, e não vou te deixar me achar.

  Eu vou estar do seu lado, e você não vai poder olhar.
  Eu vou dizer que te amo, e você não vai poder me odiar.
  Eu vou sentar no seu lugar, e você nãovai me fazer levantar.

  Eu vou cantarolar, e você não vai poder me calar.
  Eu vou pensar, e você não vai poder me controlar.
  Eu vou te levar, e você não vai se salvar.

  Eu vou te abraçar, e você não vai querer soltar.
  Eu vou te seguir, e você não vai me fazer parar.
  Eu vou entrar nesse jogo, e você não vai ganhar.
 
  Eu vou gritar, e você não vai gargalhar.
  Eu vou sair, e você vai chorar.
  Eu vou pedir, e você vai ficar.
 
  Eu vou me despir, e você vai olhar.
  Eu vou dormir, você vai me acordar.
  Eu vou dizer 'sim', e você não vai negar.

  Eu vou te tocar, e você vai me beijar.
  Eu vou te beijar, e você vai me deitar.
  Eu vou te deitar, e você vai me...

  Eu vou levantar, e você vai implorar.
  Eu vou rir, e você vai chorar.
  Eu vou saber, e você vai imaginar.

  Eu vou escrever, mas não vou enviar.
  Eu vou esquecer, e você vai pensar.
  Eu vou escrever, e você vai imaginar.

  Eu vou publicar, e você vai comprar.
  Eu vou te encontrar, e você vai lembrar.
 
  Você vai pedir, e eu vou negar.
 

Sociedade Anônima

  Toda vez que escrevo alguma coisa pensando em você, eu leio em voz alta, torcendo para que o vento leve minhas palavras até o andar em que você mora, para que entrem no seu quarto, e penetrem nos seus sonhos, para que, mesmo que eu não envie, você tome conhecimento do que eu escrevi.
  Toda noite, antes dos meus olhos fecharem, eu vejo seu rosto no meio da escuridão; sussurro seu nome, para o meu anjo-da-guarda te levar paz. Torço, também, para que nas suas noites mais agitadas, no meio dos seus devaneios, você se lembre de mim. Que você cante meu nome no meio de uma música qualquer; me coloque no meio de uma história que tenha inventado; ou, pelo menos, imagine como teria sido o seu dia se eu estivesse, por pelo menos cinco minutos, do seu lado.
  Todas as vezes em que eu ando sozinho pelas ruas, presto atenção nas esquinas, procurando você, indo ou voltando de qualquer lugar. Tento sentir seu cheiro, ou pelo menos ver seus cabelos alaranjados ao vento, sinalizando que está atrasada, e com muita pressa.
  Por vezes passei na frente da tua casa, esperando ver você da janela. Esperando que, naqueles poucos segundos de caminhada, você saísse. Eu veria tua cara de espanto, misturada com raiva, desdém, tristeza, alegria, e outros sentimentos que não saberia definir. Você coraria. Trastejaria, por um instante. Acenaria rapidamente, e seguiria o seu rumo que, com absoluta certeza, seria o oposto ao meu.
 
  Certa vez eu te disse: "Você é a Rainha do meu mundo. É você quem coloca ordem nele.". Não acho que você tenha me levado a sério.
  Hoje, meu mundo está sem Rainha, e está um caos. Não há ninguém para governar, e dizer com autoridade o que o povo deve fazer. Não há nem uma simples porção da sua terra no meu mar alucinógeno.

  Dessa vez, como em todas as outras, eu queria que você tomasse conhecimento das minhas palavras.