Hoje te escrevo
Dessa noite, com frio;
Como um piano vazio,
Sem nota para tocar.
Me explico, tardio
Sem sentido algum;
Como um relógio sem ponteiros,
Sem tempo pra marcar.
Eu não sei me despedir,
Mas também não sei ficar.
No seu sorriso me perdi,
E descobri o que é errar.
Então, meu amor, perdoa!
Porque eu não sei amar.
Hoje descrevo
Do cinza as cores
Que o daltonismo
Nunca deixou-me enxergar
Só penso se vale
Essa pena toda procurar
Algo que não sei onde encontrar.
Algo que não se compra,
E que não se sabe usar - se é que usa-se.