Ela é a princesa mimada, e eu, o vagabundo irremediável.
Ela está acostumada a dormir em lençóis de seda, e eu não sei se os meus serão suficientes, já que são apenas de algodão.
Ela está acostumada com suas paredes cor-de-rosa, e eu não sei se as paredes brancas, e meio sujas, desse quarto simples a satisfarão.
Eu não sei se adorar cada simples gesto basta para ela.
Não sei se o que ela deseja vai além das nossas pernas enroladas e confundidas, embaixo de um edredom na noite fria do Santa Cruz.
Não se ela espera que eu a leve para casa num carro esportivo, ou nem se importa, e o que quer mesmo é andar perdendo os olhos na Lua cheia da meia noite.
Não sei se em suas férias ela quer ir para Mercúrio, seu planeta natal, ou se quer que eu leve sua cabeça muito mais longe...
Eu não sei se adorar cada simples gesto basta para ela.
Não sei se o espírito cobre a matéria, já que os astros a fazem naturalmente terrena.
Não sei se para quem cresceu num castelo, qualquer quarto de hotel serve.
Eu não sei se adorar cada simples gesto basta para ela.