Amanhã vou ganhar uma máscara. Um refúgio para esconder meu verdadeiro eu, e descobrir se o que é artificial te serve.
Seria perfeitamente feito de plástico se isso te fizesse vir até aqui.
Mas seria uma mentira. Blasfêmia da pior espécie. Iria machucar quando você me conhecesse, quando você sentisse o veludo por baixo dos espinhos, ou até espinhos por baixo do veludo.
Quando penso essas coisas me surpreendo com o quão longe eu iria - Será mesmo que eu iria? - Com como meu desejo se intensifica a medida que tudo diminui - Será mesmo que diminui? - Com o fato de eu chegar ao ponto de desejar uma máscara, um refúgio para minha, segundo seus olhos, imperfeição.
Mais um desabafo, mais uma vez tentando, mas ainda terminando reticente...
