terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Lucas Silveira é o maior ídolo que eu já tive. Foi a música dele que mudou a minha vida e bláblabla.
Algumas das minhas músicas preferidas foram feitas para uma pessoa com quem ele esteve durante um certo período. Pessoa essa o machucou profundamente, fazendo com que ele escrevesse músicas sensacionais, mas das mais tristes e desabafadas que eu já ouvi.
Analisando as palavras do mestre - e pensando na época em que elas foram escritas -, encontrei um texto chamado "Morfina". Segue trecho:

"Quando lutamos contra nós mesmos, somos os únicos a colecionar feridas. Até que ponto vale a pena ater-se ao caminho da menor-dor, do baixo risco e do conforto calculado? Você grita para si mesmo com tanta força essa mentira, que acaba por não ouvir o peito clamando por um segundo de atenção. Mas eu consigo ouví-lo, quando ele encosta no meu, e sigo aguardando o dia em que a tua garganta, de tão rouca, deixe chegar aos teus ouvidos o que para mim fica claro toda vez que teus olhos fecham antes dos meus: é recíproco.
Eu poderia dizer que fui acometido por uma abstinência de sensações às quais já estava acostumado. É o que você sempre diz, mas eu ainda não me acostumei a você. Por isso que eu sempre volto, mesmo quando a minha autoestima implora para que eu espere por um sinal teu. Teus sinais foram dados; nós é que falamos línguas diferentes, quando o assunto é sentir e expressar."

Quando li isso agora - pela nonagésima vez na vida - eu entendi o que ele quis dizer. Entendi o sentimento e como aquilo passou na vida dele. Se eu pudesse, nesse exato momento, eu perguntaria se ele teria feito diferente. Perguntaria ao mestre se valeu cada dose dessa morfina particular que ele tomou.
Hoje me pego numa situação bem parecida. Sinto até que se eu não tivesse encontrado esse texto, eu mesmo o teria escrito. Porque eu quero dizer para ela que não adianta lutar contra nós mesmos; que não adianta querer viver imune às dores, numa zona de conforto e que, um dia, o amor há de alcançá-la. Mas seria complicado. Eu sei que ela acredita, mas é complicado.
Eu sei que quando os olhos dela se fecham antes dos meus é porque algo está ali, martelando no peito dela. Ela também sabe, mas quer fugir. Não sei por quanto tempo mais ela o fará.

Me diz, Lucas, se valeu a pena! Me conta desse teu amor por uma pseudo-heartless. Preciso de ajuda com isso, Mestre. Preciso saber se meus pés estão caminhando na direção certa. Ou melhor, se meus pés estão caminhando em alguma direção.

Ah, Lucas...