quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Carta Para Yasmin

São Paulo, 28 de Fevereiro de 2013.

00h54

Ya, penso em ti como um bom caminho que eu devia ter seguido; vejo-te como a luz dos olhos que eu não deixei que se acendesse.
Não sei se chamo este sentimento de arrependimento... Não sei se teríamos durado, ma belle. Sei que terias crescido muito e me acompanhado nessas tardes estranhas que venho tendo. Sei que eu teria observado-te progredir com tua arte e orgulhado-me de apresentar-te como minha moça para as pessoas ao redor. Quase posso ver os desenhos que terias feito inspirada nesse amor! É uma pena que não tenha vigorado, Ya... Realmente uma pena.
Teria sido tão tranquilo... Tomaríamos canecas imensas de café, abraçados e vendo um filme qualquer da sessão da tarde, só para estar perto, mesmo. Terias sentado em minha cama e me encorajado a cantar mais alto, corrijindo minhas notas erradas. Me darias um longo beijo de despedida na porta da sua casa, apenas algumas quadras longe da minha.
Teria sido lindo, Ya! Felicidade plena.
É uma pena que tenha sido da maneira que foi, mas tenho plena certeza de que foi melhor assim, para nós dois. Me conheço e (acho que) sei bem o que quero. Hora ou outra eu buscaria alguém me acrescentasse mais, que me fizesse buscar mais. Eu buscaria um aprendizado, um sofrimento, uma saudade. Buscaria o que encontrei hoje.
Sei que minha escolha pesou em ti, ma belle. Sei que teus versos tornaram-se tristes e tuas artes perderam a cor; sei, também, que sentes minha falta quando olha ao seu redor e não me vê com um copo de plástico cheio de um café melado conversando com algum babaca qualquer. Querida, eu realmente sei o quanto dói. De todas as pessoas que conheceste, infelizmente sou a que te conhece e entende melhor. Talvez até por isso seja tão doloroso... Sem querer acabei escaneando seu mundo por inteiro.
Jamais me cansarei de pedir perdão por essa bagunça toda, até mesmo por saber que jamais vais perdoar. Sigo tentando explicar, mesmo que nessas cartas sem remetente, o motivo que me levou a deixar-te assim, perdida. Te gosto, do fundo do peito. Tudo o que eu mais queria era querer você, Ya. Isso só prova que não somos nós os donos das nossas emoções. Infelizmente a vida me apresentou uma moça complicada, cheia de problemas que me atam as mãos. Não estou feliz, não. Apenas sento, assisto e torço para um final feliz. Já tu, querida, és livre. Então voe, ma belle! Voe por essa vida longa que tens pela frente. Verás que de nada adianta prender-se a dor de um amor que não vingou. A vida será bela pra ti. Segue teu curso, meu mar tranquilo, que talvez eu te encontre numa praia dessas da vida.

Com aconchego,

Pierrot.
Não há felicidade com as pessoas ao redor. Como já disse Lucas Silveira (ele sempre diz tudo): "Não há paz entre nós dois se não houver paz bem aqui, dentro de mim."










Sem ninguém.
Inferno.
Não admito julgamentos. Me esforço todos os dias para não julgar ninguém, então me irrito profundamente quando o fazem comigo.
Há muito tempo eu descobri que não podemos fazer pouco do sentimento alhei e devemos apenas deixar que as pessoas sintam. Não julgue um amor porque ele nasceu de repente e não julgue jamais o sofrimento de um homem por uma mulher que ele viu apenas uma vez. Nós não sabemos o que se passa na mente e no coração de ninguém nessa vida, amigos. DE NINGUÉM!

Portanto, se tiver palavras para ajudar na dor ou partilhar da alegria, fale. Caso contrário, cale-se.

Por isso falo pouco: ninguém entende. As pessoas nunca querem entender, na verdade.

Tentarei não me importar com esses julgamentos e, mais uma vez, vou me calar. Fico melhor no meu mundo.