O tempo se congelou às quatro e dezoito da tarde, de uma sexta-feira como qualquer outra: tediosa e melancólica.
As pessoas se imobilizaram, no lugar que se encontravam naquele momento. Com braços levantados, sorrisos estampados, caras de espanto, e mais algumas expressões indecifrávelmente comuns. Só eu me movia.
Me senti numa daquelas super-produções do cinema estadunidense, onde o sujeito se encontra numa daquelas quimeras do tempo, e sozinho com o próprio pensamento; o que, para mim, é uma das piores torturas que podem ser aplicadas ao ser humano.
Dentre aquela imensa multidão de corpos petrificados, um se destacava; uma, na verdade: ela paralisou em sua risada mais sonora, que escolheu como par o olhar mais expressivo. Afaguei aquele rosto - tão frio - com as costas da minha mão esquerda. A pele era realmente mais gelada que a prata fundida do anel que uso no meu dedo do meio.
Segurei aquelas mãos fechadas, que pairavam no ar, como de quem quer socar; "mas socar com carinho!", era o que aqueles olhos de caramelo me diziam, sem palavras.
Algo me dizia que o tempo ia voltar ao normal logo.
Não sei ao certo se eu quero que o tempo passe... Não consigo me lembrar de nada mais lindo do que aquela garota - desconhecida - congelada, com meia dúzia de folhas secas ao seu redor, pairando no ar. Este humilde cérebro jamais esquecerá disso.
Fui embora dali. Não queria que ela despertasse, e visse meu rosto transformado numa máscara de choro sem lágrimas.
Tenho certeza que aquela pequena parcela de pele tocada por mim se enrubesceria logo. Ela, provavelmente, sentiria o carinho, e uma dose cavalar de paixão platônica.
Eu não faço sentido.
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