sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tormento

Quando pensamos em armas, em arsenais de tortura, nos vem a cabeça chicotes, pregos, palmatórias e etc.
Eu tenho o enorme prazer de apresentar-lhes a audição.
Ela te tortura, te faz ouvir coisas que você não quer,não precisa...
A audição tem a capacidade de te arrancar lágrimas, suspiros, sorrisos. Pode de despertar sentimentos maravilhosos se usada corretamente, mas pode simplesmente te foder.
Quando você adquire seu querido ouvido, você recebe de brinde para o seu arsenal dois olhos !
Olhos que te fazem ver cenas desagradáveis, ler palavras atrozes, ver o mundo em sua impecável crueldade.

Mas vamos sobreviver à tortura, e continuar enxergando e ouvindo, e acima de tudo sentindo...

Quarto ato, cena quinze (parte dois)

A estrela acordou. O ator principal da farsa, que teve sua estreia na noite anterior.
Estava  angustiado. A última cena ainda o atormentava.
Fora uma mentira. Ela nos seus braços, sua face corada...Não aguentava pensar naquilo.
Poderia ser tão perfeito! Todos aplaudiram, parabenizaram...Mas afinal, nada pode ser construído em cima de uma mentira. Na verdade não eram mentiras, só não era o sentimento necessário, ou melhor dizendo o sentimento certo.

"Por que estou pensando nisso? Sentimento? Essa palavra não existia no meu vocabulário para falar dela. Maldita luxúria corupta! Se bandeou para o lado esquerdo do peito..."

Pensamentos tão confusos naquela cabeça. Agoniavam-me só de imaginar. O que ele sentia não era comum; era desconhecido. Algo que nem uma pessoa assistindo de fora poderia descrever.

Ele precisava parar.
Foi tomar um banho, para refrescar seus pensamentos. Ele tinha que sair, afinal, a peça continuava, e iria se estender por noites e noites a fio...