Quisera eu ter nascido com o sonho de ser advogado! Médico, dentista, engenheiro ou arquiteto. Quisera eu ter um sonho comum, com um caminho mais simples de se seguir. Seria só estudar, achar um bom emprego, encontrar uma mulher, ter uma casa, filhos e um golden retriever. Ah! quisera eu...
Nasci dissonante, como um dó sustenido que não se encaixa na escala. Nasci complicado, com um sonho tão utópico quanto viver de amor. Mas, espere aí! Eu quero viver de amor. Amor pela música que me acompanha desde sabe-se lá quando. Nasci para dedilhar as cordas em busca de uma melodia que expresse meus sentimentos; nasci com palavras certas para usar com pessoas erradas. Nasci numa cama de partitura, que eu mesmo desenhei anos antes de encarnar nesse orbe. Nasci peixe, sonhador, maluco e caçados de sons. Assim permanecerei, nem me custem os neurônios. Nasci assim, meio sem rumo, sem saber se vou ter dinheiro para pagar todas as contas no fim do mês. Mas, não em vão, nasci com uma resignação e coragem que não possuem tamanho. Nasci para lutar, cair, levantar e vencer. Não há nada que possa me dissuadir.
Eu sou o som do violão velho
Que insiste em embalar os nostálgicos;
Sou o piano desafinado
Que a criança toca com fascínio;
Sou cada palavra nova
Na boca do que aprende a ler.
Sou um sonho que não acaba.