Agora eu deveria estar dormindo, mas minha mente estava chamando esse pedaço de papel para uma pequena conversa.
Ando pensando muito sobre o tempo, e sua maneira de se comportar. O tempo não passa quando nós queremos.
Parece que eu me prostrei sob o ponteiro do relógio, que indica que são três da manhã, e por lá eu me congelei. Desde Agosto, eu diria.
Eu tô no meio de um drama de uma novela mexicana mal dublada, e algum filho da puta pausou no meio de uma cena de pura sofreguidão. Quase posso ouvir os violinos da trilha sonora...
Tenho passado meu tempo quase todo torcendo para alguém avançar para a parte do 'um-ano-depois', mas pelo visto a minha audiência é composta, basicamente, por sádicos, que adoram assistir enquanto eu agonizo. Se o tempo passasse, eu já estaia na parte do 'felizes-para-sempre'. Estaríamos, na verdade.
Na verdade isso não é novela, e eu não estou deitado num ponteiro de um maldito relógio. Tô só deitado no meu sofá, com insônia, rasurando um pedaço de papel, e morrendo de saudade. A única verdade é que nunca - em toda a minha não tão extensa vida - eu quis tanto que o tempo passasse. E só por isso o maledicente continua me deixando no mesmo lugar: nesse sofá vermelho, na minha sala iluminada. Com a paciência diminuindo, e o frio aumentando.
Revenez nous voir bientôt.