E vejam só a novidade!
Novidade que eu vejo nos jornais desde que as fotos eram em preto-e-branco. Fotos que hoje estão tingidas de vermelho. Meu sangue. Teu sangue. Nosso sangue, que caiu direto das veias de um amor que nasceu com data de validade, e que sabíamos que ficaria um longo tempo no hospital, agonizando. Há poucos minutos ele deu seu último suspiro, e estará nas manchetes pela amanhã, com um longo texto no obituário, escrito por mim: seu criador, e seu assassino.
Mas eu olhei nos olhos desse amor, antes de matá-lo. Precisava de mais do que uma ou duas fotos em sépia: precisava da memória daquele último brilho nos olhos, antes do último eclipse daquela surrada lua.
Gravada a imagem, fui embora. E não volto mais ali.
Fique bem, meu amor, onde quer que esteja. Saiba que só te matei por não querer mais te ver sofrer; aguentarei esse carma sem reclamar, e pagarei por isso, se necessário. Essa é a vida.
Não te preocupe, que eu sei que você vai renascer. Com certeza em braços mais saudáveis, e que saibam te tratar, como eu tratei.E que tenham a mesma disposição que eu tive contigo.
Meu amor, eu te amei, e pra sempre vou amar; e como uma música qualquer já disse: "Em algum lugar do tempo, nós ainda estamos juntos. Pra sempre. Pra sempre ficaremos juntos."
Adeus.
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