segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ópera

Eu me lembrei de um cheiro, que estava impregnado no meu ser. Estava até nas minhas roupas. O cheiro que saia dos teus cabelos, aes, quando o vento batia.
Eu sinto saudade desse cheiro, que infelizmente, o tempo levou de mim.
Mas o tempo não foi capaz de levar tuas manias, marcantes e marcadas em mim. Não foi capaz de levar nem um simples segundo de memória que eu passei no seu mundo tão fechado, do qual eu ganhei a chave diretamente da rainha. Nunca levará o que eu sei sobre você, que é muito mais do que qualquer pessoa jamais saberá.

Lembro das nossas muitas casas, com diversos cômodos, sempre mobiliados a nossa maneira. Me lembro dos estranhos nos quadros da arte abstrata que nenhum de nós entendia.
Lembro do café forte da manhã fria, tão fantasiosa que eu quase acordava.
E daquelas tardes no sofá de couro preto? Ah, como eram boas! Dá até vontade de virar a ampulheta ao contrário, para ver se aquela tarde volta.

Eu sei que não vai voltar, e enquanto isso, eu sento numa das nossas diversas salas e espero o momento de balançar seu mundo, e o meu outra vez.