sábado, 29 de outubro de 2011

Onde é que tem poesia?

  Será que existe poesia no silêncio?
  Será que existe poesia quando ninguém diz nada?
  Estou tentando responder essa perguntas, sentado embaixo de uma árvore seca, sem ter nada para dizer. Não tenho nada para dizer a ninguém.

  Será que existe poesia na tristeza sem pranto?
  Será que existe poesia nesse meu azedume, que há dias vem implorando pelo teu mel?
  Estou tentando responder essas perguntas, morando no meu próprio limoeiro, sem ter como sair. Não tenho por quem sair.

  Será que tem poesia para vender nas tuas vitrines?
  Será que tem veludo por baixo do teu fel?
  Estou tentando responder essas perguntas, mas sem te ouvir falar, Quero adivinhar o que passa nessa tua cabeça de loucura.

  Será que tem poesia por aí?
  Será que tem poesia por aqui?
  Será que tem poesia para gente se juntar?

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Enquanto

  Enquanto cê dorme, eu vejo as tuas fotos. Vejo o quão única é essa tua beleza. És indescritível.
  Vejo cada contorno desse teu rosto, que foi eternizado nesse sorriso espontâneo da foto. Sorriso que eu sinto falta há 15 anos. Sorriso que eu sonho em encontrar há 15 anos.

  Enquanto cê dorme, eu olho no fundo dos teus olhos. Teu olhar tão único; desigualmente perfeito. Que olha no fundo da alma, e analisa cada detalhe. Que olha com vontade; com inocência, e com malícia. Desse jeito que não sei como cê faz.

  Enquanto cê dorme, eu faço de conta que tô sentindo teu cheiro. Finjo que esse cheiro de flores aqui é teu. É doce, é maravilhoso. O cheiro que há tempos eu procuro nos meus lençóis.

  Enquanto cê dorme, eu sou insone. Eu fico acordado admirando cada faceta desse seu rosto de diamante.
 
  Enquanto cê dorme, eu te sonho.

Ma Belle III

  E se eu te peço um dia, é porque uns minutos já me bastam. Alguns minutos só olhando o tempo voar do seu lado, enquanto penso em tudo que poderíamos fazer; porque, afinal, o que é um dia, perto dessa eternidade que nos cerca, ma belle?
  Por isso não me desespero. Não desespero, e espero esse tempo louco voar. Espero pra ver a metamorfose dos segundos em minutos; dos minutos em horas; das horas em dias; e dos dias em cinzas.

  E se eu te peço um beijo, é porque só o som da sua voz já basta. Só o som da sua voz que eu nem lembro mais; esquecimento é obra do tempo, ma belle.
  Mas eu nem me desespero.Não desespero, e espero essa voz chegar.Vem com eu vento, eu sei.
 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Aqui

  É aqui o lugar onde o silêncio tem gritado.
  É aqui onde os sonhos tem morrido; um por um.
  É aqui onde mora a falta do que nunca pertenceu, e que faz companhia para a posse do sentimento que eu tomei como meu.
  É aqui.

sábado, 22 de outubro de 2011

Chocolate

  Eu durmo querendo acordar, e acordo querendo dormir;
  Eu sonho sem me deitar, e deito para poder fugir.

  Eu fujo querendo voltar, e volto querendo viver;
  Eu vivo querendo deixar, e deixo querendo dizer.

  Eu digo querendo discordar, e eu discordo querendo ajudar;
  Eu ajudo querendo apagar, e eu apago tentando esquecer.

  Eu esqueço querendo lembrar, e eu lembro querendo fazer;
  Eu faço querendo parar, eu paro querendo prosseguir.

Chocolate

  Eu durmo querendo acordar, e acordo querendo dormir;
  Eu sonho sem me deitar, e deito para poder fugir.

  Eu fujo querendo voltar, e volto querendo viver;
  Eu vivo querendo deixar, e deixo querendo dizer.

  Eu digo querendo discordar, e eu discordo querendo querendo ajudar;
  Eu ajudo querendo apagar, e eu apago tentando esquecer.

  Eu esqueço querendo lembrar, e eu lembro querendo fazer;
  Eu faço querendo parar, eu paro querendo prosseguir.

É.

Se lembra quando você era inocente? Não, né? Eu lembro. Sonho com isso todas as noites. Sonho com o dia em que você vai falar que está só brincando, e que esse papo de ir embora é só uma piada de mal gosto.

Se lembra quando você precisava de mim? Não? Estranho, porque não faz tanto tempo. E quanto você precisar de novo? “Quem você vai chamar?” Você não sabe, né? Deve ser porque não há ninguém para você chamar.
Há tempos eu aprendi a machucar as pessoas que eu amo, e tomo cuidado para não fazê-lo, mas para você isso é novidade. É legal deixar cicatrizes das tuas palavras sem pensar. É fácil e gostoso.
Você se tornou cética, e eu não estou pronto para perdoar.

É.

Se lembra quando você era inocente? Não, né? Eu lembro. Sonho com isso todas as noites. Sonho com o dia em que você vai falar que está só brincando, e que esse papo de ir embora é só uma piada de mal gosto.
Se lembra quando você precisava de mim? Não? Estranho, porque não faz tanto tempo. E quanto você precisar de novo? “Quem você vai chamar?” Você não sabe, né? Deve ser porque não há ninguém para você chamar.
Há tempos eu aprendi a machucar as pessoas que eu amo, e tomo cuidado para não fazê-lo, mas para você isso é novidade. É legal deixar cicatrizes das tuas palavras sem pensar. É fácil e gostoso.
Você se tornou cética, e eu não estou pronto para perdoar.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Foda-se

  E que se fodam seus pensamentos toscos! Eu quero é mais! Quero novidades, que me ocupem a cabeça. Quero aprender, e dominar novas áreas. Quero abrir minha cabeça.
  Quero ser uma explosão absurda nesse seu campo de batalha!
  Quero que você olhe para mim, e diga que não me conhece. Quero que você tenha motivos para não me conhecer. Quer mudar muito.
  Quero - e vou - provar que mudança é prova de que estou vivo, e não tenho vergonha de mudar de opinião. Assim como mudei a minha ao teu respeito.

1072

  E cá estou eu;
  Tô vendo seus traços nesse meu jardim;
  Seu rosto de flor,
  Seu cheiro de jasmim
  E essa sua voz de ventania.

  E cá estou eu;
  Nesse quarto no espaço sideral;
  Um mundo tão distante...
  Só esse retrato cerebral
  Desse seu sorriso tão brilhante
  Para me lembrar de como escrever
  Seu nome sete vezes nesses muros -
  Já tão escuros de tempos passados...

  E cá estamos nós;
  Jogados desde sempre ao destino,
  Que traça os caminhos mais tortos.
 
  E, nesse momento,
  Coloquei do seu lado da cama
  Uma garrafa de vinho barato
  E um maço de cigarros;
  Finjo que é seu esse cheiro almiscarado.
 
  Melhor assim, é menos vazio;
  Como se não já não me bastasse o frio dessa cidade tão cinza!
  Que as tuas cores quentes deixaram para mim.

  E cá estou eu;
  Procurando em sonhos sua voz;
  Recusando-me a esquecer seu timbre,
  Que casa com as ideias do meu violão.

  E cá estou eu: jurando parar.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Voz

  Voz rouca, ou melodiosa;
  Real, ou fabulosa;
  Essa voz tá fugindo... Se escondendo.

  Voz alta, ou sussurro?
  É um grito, quase mudo;
  Sua voz viajou... Eu esqueci.
 
  Não lembro do tom.
  Não lembro se é de soprano, ou de tenor;
  Não me lembro do som.
  Não lembro se era de alegria, ou de dor.
  
  Esqueci da sua voz.
  

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

De Repente Eu Volto a Escrever

  Viajo pelas suas fotos; nado pelo seu mar de palavras; finjo lembrar com exatidão do tom da sua voz. Tento alcançá-lo a cada nota que eu toco, para musicar essa poesia sobre a distância, que eu ainda não consegui terminar.
  Fecho meus olhos, e me transporto para aquele lugar no meio de uma cidade tão cinza, onde existem árvores com tons escuros de verde. Esse lugar que hoje é tão seu quanto a vontade de voltar.
  
  De repente estou sonhando com coisas que nem sequer aconteceram.
  De repente estou procurando uma rima para o seu nome.
  De repente procuro o capítulo final para um livro que eu nem comecei.
  
  De repente eu paro.

  

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pranto

  E a cada letra que eu escrevo, ganho um espinho no peito. E a cada ponto final ganho um nó nas cordas vocais; sinal de que eu não posso gritar por ajuda. A cada vírgula eu percebo que está mais difícil de respirar.
  O que diabos é isso? Que dor absurda é essa? Que nome eu dou para isso? Como eu me curo disso? Por quê?
  Tudo o que me resta é chorar.

Sonhos

  ... E eu caí numa grama extremamente verde. Eu não sabia onde estava. Estava sozinho.
  Apesar de estar sozinho num lugar completamente desconhecido, eu não sentia medo. "Parecia que era minha aquela solidão".
  Andei por aquele lugar. O campo parecia infindável.
  As horas passavam, e sentia o peso delas nas minhas costas. A noite caiu.
  Meia-noite; uma hora; duas horas: três horas; e surgiu uma garota do meio do nada.
  Ela pegou aquelas pesadas horas das minhas costas, e sussurrou um 'Está tudo bem' para mim.
  De repente era nossa, aquela solidão. De repente o campo falava comigo.
  De repente eu acordei.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pequena

  Parece que não te vejo há anos, pequena. Você tá toda mudada. Linda.
  Parece que não me vê há tempos, pequena. Tô todo mudado. Podre.

  Será que um dia nossos corpos se encontram na fusão dessa saudade?
  Será que um dia vou perguntar de você, ou serei sempre covarde?
  Será que um dia eu...

O Fogo

  As taças sujas estão na minha pia,
  Cheias de memórias da nossa noite vazia.
  Sem medo, sem dor;
  Sem frio, sem calor;
  Só nós dois na brecha do tempo
  Num sonho chamado de 'amor'.

  As roupas rasgadas estão pelo chão,
  Como o desejo da noite em que eu procurei todos os seus beijos.
  Sem medo, sem pudor;
  Sem prédio, sem flor;
  Só nós dois na cama do vento,
  Esperando o tal do 'amor'.

  Não sei se cabe ou não
  Seu nome no meu refrão;
  Minha métrica tão errada...
  Suas sete letras oitavadas...

  As claves tortas estão no seu fogo,
  Como o leão rugindo ao lobo:
  Sem pretexto, sem razão;
  Sem sentimento, sem tesão;
  Só nós dois nessa selva de pedra,
  Alentando um só coração.

  Meus olhares meigos estão pelo teu corpo,
  Como um tesouro: raro e louco.
  Sem erro, sem perdão;
  Sem ganância, sem brasão;
  Só nós dois num baú do mar,
  Curtindo essa paixão.

  Não sei se devo
  Te chamar no meu refrão.
  São mundos tão opostos...
  E não se juntam nessa canção.

  Tenho essa escala toda errada...
  Suas sete letras oitavadas...
  Ah, dona do fogo!

O Fogo

  As taças sujas estão na minha pia,
  Cheias de memórias da nossa noite vazia.
  Sem medo, sem dor;
  Sem frio, sem calor;
  Só nós dois na brecha do tempo
  Num sonho chamado de 'amor'.

  As roupas rasgadas estão pelo chão,
  Como o desejo da noite em que eu procurei todos os seus beijos.
  Sem medo, sem pudor;
  Sem prédio, sem flor;
  Só nós dois na cama do vento,
  Esperando o tal do 'amor'.

  Não se cabe ou não
  Seu nome no meu refrão;
  Minha métrica tão errada...
  Suas sete letras oitavadas...

  As claves tortas estão no seu fogo,
  Como o leão rugindo ao lobo:
  Sem pretexto, sem razão;
  Sem sentimento, sem tesão;
  Só nós dois nessa selva de pedra,
  Alentando um só coração.

  Meus olhares meigos estão pelo teu corpo,
  Como um tesouro: raro e louco.
  Sem erro, sem perdão;
  Sem ganância, sem brasão;
  Só nós dois num baú do mar,
  Curtindo essa paixão.

  Não sei se devo
  Te chamar no meu refrão.
  São mundos tão opostos...
  E não se juntam nessa canção.

  Tenho essa escala toda errada...
  Suas sete letras oitavadas...
  Ah, dona do fogo!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Bar

  Me sentei no bar, e o garçom já veio: "O que o senhor deseja?". "Um amor cairia bem, meu rapaz.", eu respondi.
  "Não servimos isso aqui, senhor." - brincou o espirituoso atendente.
  "Serve uma paixonite... Só para passar o tempo que eu tenho de esperar." - insisti.
  "Posso lhe oferecer uma dose de vodka. Esquenta por dentro que até parece paixão!" - brincou comigo outra vez.
  "Não bebo. Me traz um café, que eu espero meu amor passar." - retruquei, com voz doce.
  "É pra já." - finalizou o rapaz.

sábado, 1 de outubro de 2011

Promessas

  Me promete que vem?
  Se prometer-me eu juro só pensar em ti.
  Desejar cada dia mais;
  Prometo jurar coisas que façam existir paz no meio desse caos.
 
  Aguento teu ocasional desdém; peço-te para ficar mais cinco minutos. Digo até que só tenho olhos para ti! Prometa-me que vem.
  Se eu prometo que vou? Só se me der um lugar para dormir, e prometer mostrar-me a beleza desse teu lugar.
  Ah, vamos prometer juntos! Vamos seguir nessa estrada longa, dessa encarnação louca que nos foi dada.

  Eu poderia até jurar-te meus longos versos. Pintaria nossos nomes, lado a lado, nesse sonho azul que embala minhas noites.

Esses Tempos

  Tô tão sem rumo esses tempos... Não sei mais de nada na minha vida. Apenas estou me deixando levar por essa maré, que hora sobe, hora desce.
  Tô tão sozinho esses tempos... Tô sempre rodeado de gente, mas ninguém parece me entender, embora muitos tentem.
  Tô tão carente esses tempos... Tô sempre recebendo abraços, mas no fundo eu sei o que eu realmente quero, e de quem eu quero. E isso eu não posso ter; nem sei se vou poder ter de novo.
  Tô tão melancólico esses tempos... Tô tendo ondas de tristeza sem motivo; sem nome; sem rosto. Ou talvez até tenham, e sou eu quem quer ignorar isso.
  Tô todo cortado esses tempos... Tô cheio de cortes profundos que os seios 'amigos' me fizeram.
 
  Tô tão dramático esses tempos...