As taças sujas estão na minha pia,
Cheias de memórias da nossa noite vazia.
Sem medo, sem dor;
Sem frio, sem calor;
Só nós dois na brecha do tempo
Num sonho chamado de 'amor'.
As roupas rasgadas estão pelo chão,
Como o desejo da noite em que eu procurei todos os seus beijos.
Sem medo, sem pudor;
Sem prédio, sem flor;
Só nós dois na cama do vento,
Esperando o tal do 'amor'.
Não se cabe ou não
Seu nome no meu refrão;
Minha métrica tão errada...
Suas sete letras oitavadas...
As claves tortas estão no seu fogo,
Como o leão rugindo ao lobo:
Sem pretexto, sem razão;
Sem sentimento, sem tesão;
Só nós dois nessa selva de pedra,
Alentando um só coração.
Meus olhares meigos estão pelo teu corpo,
Como um tesouro: raro e louco.
Sem erro, sem perdão;
Sem ganância, sem brasão;
Só nós dois num baú do mar,
Curtindo essa paixão.
Não sei se devo
Te chamar no meu refrão.
São mundos tão opostos...
E não se juntam nessa canção.
Tenho essa escala toda errada...
Suas sete letras oitavadas...
Ah, dona do fogo!
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