sexta-feira, 21 de outubro de 2011

1072

  E cá estou eu;
  Tô vendo seus traços nesse meu jardim;
  Seu rosto de flor,
  Seu cheiro de jasmim
  E essa sua voz de ventania.

  E cá estou eu;
  Nesse quarto no espaço sideral;
  Um mundo tão distante...
  Só esse retrato cerebral
  Desse seu sorriso tão brilhante
  Para me lembrar de como escrever
  Seu nome sete vezes nesses muros -
  Já tão escuros de tempos passados...

  E cá estamos nós;
  Jogados desde sempre ao destino,
  Que traça os caminhos mais tortos.
 
  E, nesse momento,
  Coloquei do seu lado da cama
  Uma garrafa de vinho barato
  E um maço de cigarros;
  Finjo que é seu esse cheiro almiscarado.
 
  Melhor assim, é menos vazio;
  Como se não já não me bastasse o frio dessa cidade tão cinza!
  Que as tuas cores quentes deixaram para mim.

  E cá estou eu;
  Procurando em sonhos sua voz;
  Recusando-me a esquecer seu timbre,
  Que casa com as ideias do meu violão.

  E cá estou eu: jurando parar.

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