Juntei todos os papéis. As tuas cartas se confundiram com as minhas, que eu nunca enviei. Palavras que hoje não são nada. Se tornaram só substantivos, verbos e adjetivos desconexos.
Risquei o fósforo e coloquei fogo nas mentiras. O fogo foi comendo o papel, pouco a pouco; sujeito após predicado.
No final daquilo, não faria a menor diferença que ofendeu primeiro. "Nesse mundo não existem vítimas, somos todos agressores", como já disse Rodrigo Tavares.
Ninguém conseguiria distinguir quem usou o papel rosa, ou o papel pardo; a caneta azul, ou o lápis rosado; quem entregou num envelope com perfume, ou num papel dobrado.
O cheiro subiu. Um cheiro forte de papel queimado, que me era estranhamente bom. Talvez pelo fato de ser cheiro de vida nova; de pessoas novas (que espero que não tenham esse cheiro de queimado).
As cinzas começaram a levitar, como num feitiço. Estavam ali, flutuando, diante dos meus olhos, fragmentos ínfimos da descrição detalhada que, um dia, eu fiz dos teus.
Aquelas cinzas significaram muita coisa, e agora estão no ar... Sem rumo.
Deixei os restos do teu corpo lírico queimando e voando. Fiz um chá mate. Sentei, aliviado, e sorri. Isso sim é um recomeço.
" A minha história não acaba aqui. Quem põe esse ponto final sou eu."
quinta-feira, 30 de junho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Poeminha
É nova fase.
É tempo de recomeço.
É tempo do menino virar homem.
O menino aprendeu; aprendeu a perdoar e aprendeu a 'rancorar';
aprendeu a sofrer e aprendeu a amar;
aprendeu a sorrir, aprendeu a chorar;
aprendeu e agora quer ensinar.
Aprendi a caminhar, agora quero correr;
aprendi a lembrar, agora quero esquecer;
aprendi a falar, agora quero escrever.
Só sabia pensar, agora sei concretizar.
É tempo de recomeço.
É tempo do menino virar homem.
O menino aprendeu; aprendeu a perdoar e aprendeu a 'rancorar';
aprendeu a sofrer e aprendeu a amar;
aprendeu a sorrir, aprendeu a chorar;
aprendeu e agora quer ensinar.
Aprendi a caminhar, agora quero correr;
aprendi a lembrar, agora quero esquecer;
aprendi a falar, agora quero escrever.
Só sabia pensar, agora sei concretizar.
domingo, 26 de junho de 2011
Ensinamentos
Aprendi muito com você. Aprendi coisas que eu julgava inúteis, e que hoje me ajudam; me ajudam a sonhar com tal exatidão, que até vejo a inocência dos seus olhos espelhados nos meus 'experientes'.
Você aprendeu tanto comigo. Coisas que você julgava como úteis, e que hoje não te servem para nada; só servem para tapar os buracos dos sonhos que você realizou, e não conseguiu repor.
Eu te ensinei tanto, mas não ensinei a me tratar; não ensinei como lidar.
Você me ensinou tanto, mas esqueceu de me mostrar como largar do seu pé; esqueceu de ensinar como eu posso me amar com você por perto. Esquecemos.
E hoje a ingratidão é mútua. É mútuo, também, o ódio ao amor. É recíproco o cansaço dessa luta sem fim.
Até mais.
Você aprendeu tanto comigo. Coisas que você julgava como úteis, e que hoje não te servem para nada; só servem para tapar os buracos dos sonhos que você realizou, e não conseguiu repor.
Eu te ensinei tanto, mas não ensinei a me tratar; não ensinei como lidar.
Você me ensinou tanto, mas esqueceu de me mostrar como largar do seu pé; esqueceu de ensinar como eu posso me amar com você por perto. Esquecemos.
E hoje a ingratidão é mútua. É mútuo, também, o ódio ao amor. É recíproco o cansaço dessa luta sem fim.
Até mais.
Você está - (Paulo Cesar Siqueira)
"Em todo lugar que eu não vou
Em toda noite que não durmo
Em todo plano que não concluo
Com todo mundo que não conheço
Em toda ligação que não atendo
Em cada mensagem que não envio
Em cada cama que não me deito
Em cada sobremesa que não como
Em todo tempo que não faço
Em toda hora que não estou calmo
Em toda sala sem barulho
Em todo abraço que não recebo
Em toda vez que eu desisto
Em todas as roupas que eu compro
Em todas alternativas que não escrevo."
sábado, 25 de junho de 2011
Vai Doer
Vou recomeçar. Vou simplesmente largar meu amor incerto no mar, para só encontrá-lo se for a vontade da maré.
Vou desocupar o quarto vermelho que tenho no lado esquerdo do peito, para ele poder receber novos hóspedes.
Vai doer ter que encaixotar suas coisas... Desfazer sua cama... Tirar seus quadros da parede... Mas nada vai doer mais do que dar a notícia.
"Aqui você não pode mais ficar. Não tem me feito bem. Não como fazia antes...
Estou precisado fazer uma reforma aqui, sabe? E você só está atrapalhando... Aliás, está me dissuadindo (você nunca atrapalha).
Não duvide do que eu já disse. Nem de uma simples sílaba... nem de uma vírgula.
Você poderá vir visitar. Se for para ser, você vai morar aqui de novo, mas por enquanto eu preciso de você fora... Apesar de precisar muito de você, eu também preciso de mim.
Não é um adeus, é só um até logo".
Ah, vai doer...
Vou desocupar o quarto vermelho que tenho no lado esquerdo do peito, para ele poder receber novos hóspedes.
Vai doer ter que encaixotar suas coisas... Desfazer sua cama... Tirar seus quadros da parede... Mas nada vai doer mais do que dar a notícia.
"Aqui você não pode mais ficar. Não tem me feito bem. Não como fazia antes...
Estou precisado fazer uma reforma aqui, sabe? E você só está atrapalhando... Aliás, está me dissuadindo (você nunca atrapalha).
Não duvide do que eu já disse. Nem de uma simples sílaba... nem de uma vírgula.
Você poderá vir visitar. Se for para ser, você vai morar aqui de novo, mas por enquanto eu preciso de você fora... Apesar de precisar muito de você, eu também preciso de mim.
Não é um adeus, é só um até logo".
Ah, vai doer...
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Diz por si só
Eu estava bem até você aparecer. Eu estava muito bem.
Eu estava bem até perceber que eu só apareço nas horas erradas e que, para você, todas as horas se tornaram erradas.
Eu estava bem até a vontade de lutar chegar, e, junto com ela, a percepção de que esse mundo não passa de uma grande merda.
Falamos de amores, drogas, dramas, e tudo o que julgamos importante. O que é importante mesmo não está aqui. Até com VOCÊ o mundo é uma merda.
De que valem as discussões, se ninguém realmente está disposto a admitir que está errado? Se ninguém realmente quer admitir que não presta? Se ninguém assume a própria babaquice?
Além de ser uma merda esse mundo também é uma sala lotada de gente que não quer gente; gente que não gosta de gente; e gente que goza a vida sem pensar.
FODA-SE
Eu estava bem até perceber que eu só apareço nas horas erradas e que, para você, todas as horas se tornaram erradas.
Eu estava bem até a vontade de lutar chegar, e, junto com ela, a percepção de que esse mundo não passa de uma grande merda.
Falamos de amores, drogas, dramas, e tudo o que julgamos importante. O que é importante mesmo não está aqui. Até com VOCÊ o mundo é uma merda.
De que valem as discussões, se ninguém realmente está disposto a admitir que está errado? Se ninguém realmente quer admitir que não presta? Se ninguém assume a própria babaquice?
Além de ser uma merda esse mundo também é uma sala lotada de gente que não quer gente; gente que não gosta de gente; e gente que goza a vida sem pensar.
FODA-SE
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Apenas
Se lembra quando era doce?
Você tinha até lábios de mel;
Se lembra do que você me trouxe?
Era um sorriso que parecia o céu...
Por que você se amargurou?
Só para me ouvir dizer que não sei mais onde vou?
Ah, mas eu não vou, não vou!
Se lembra do meu coração?
Você até - um dia - o chamou de lar;
Se lembra por quê foi embora, então?
Foi porque querias voar...
Por que deixou um bilhete no chão?
Para me fazer vociferar da solidão?
Ah, mas eu não vou, não...
Não vou por não ser assim;
Não vou por gostar mais de mim;
Não vou, apenas.
Você tinha até lábios de mel;
Se lembra do que você me trouxe?
Era um sorriso que parecia o céu...
Por que você se amargurou?
Só para me ouvir dizer que não sei mais onde vou?
Ah, mas eu não vou, não vou!
Se lembra do meu coração?
Você até - um dia - o chamou de lar;
Se lembra por quê foi embora, então?
Foi porque querias voar...
Por que deixou um bilhete no chão?
Para me fazer vociferar da solidão?
Ah, mas eu não vou, não...
Não vou por não ser assim;
Não vou por gostar mais de mim;
Não vou, apenas.
Poesia
Sorriso falso, de papel molhado.
Dizem que o pecado mora ao lado;
Lado esquerdo do peito rasgado,
Fruto dos seu seio afiado.
Do qual nunca me acostumei...
...Mas achei
O teu olhar desmanchado
Fitando de longe o lago - feito de versos - No
Qual me encontro afogado...
...Afogado desde os pés
Até os desejos mais cruéis,
Que nascem do horizonte
Das tuas curvas fiéis...
...Que me traem - e continuam a atrair;
Já que o pior está por vir,
Deixo esse papel secar...
...Para desenhar
Seu sorriso, mais uma vez,
E ver se dura mais um mês
Antes da chuva apagar.
Dizem que o pecado mora ao lado;
Lado esquerdo do peito rasgado,
Fruto dos seu seio afiado.
Do qual nunca me acostumei...
...Mas achei
O teu olhar desmanchado
Fitando de longe o lago - feito de versos - No
Qual me encontro afogado...
...Afogado desde os pés
Até os desejos mais cruéis,
Que nascem do horizonte
Das tuas curvas fiéis...
...Que me traem - e continuam a atrair;
Já que o pior está por vir,
Deixo esse papel secar...
...Para desenhar
Seu sorriso, mais uma vez,
E ver se dura mais um mês
Antes da chuva apagar.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Sem título - 1
Não consigo resolver nada por completo. Sempre sobra alguma coisa - ou alguém - precisando de ajuda/ajuste.
Alguém sempre se magoa, ou me magoa sem querer. Alguém sempre acaba com alguma ferida que eu causei com algum erro, numa tentativa infindável de acerto.
Desculpe a todos que se machucaram comigo, e saibam que não fiz por querer.
Quero poder ajudar todos, mas não dá. Tenho minhas prioridades, é verdade, mas não esqueço de ninguém. Sempre vai sobrar pelo menos um décimo de mim para sarar feridas.
Alguém sempre se magoa, ou me magoa sem querer. Alguém sempre acaba com alguma ferida que eu causei com algum erro, numa tentativa infindável de acerto.
Desculpe a todos que se machucaram comigo, e saibam que não fiz por querer.
Quero poder ajudar todos, mas não dá. Tenho minhas prioridades, é verdade, mas não esqueço de ninguém. Sempre vai sobrar pelo menos um décimo de mim para sarar feridas.
domingo, 19 de junho de 2011
Anjo: Parte 1
Meu anjo um dia me questionou:
"- Quem disse que você a merece mais do que ele? Quem disse que você sente mais por ela do que ele?"
Eu não o respondi. Até agora não respondi.
Talvez estejamos empatados.
"- Quem disse que você a merece mais do que ele? Quem disse que você sente mais por ela do que ele?"
Eu não o respondi. Até agora não respondi.
Talvez estejamos empatados.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Puta que o pariu!
Eu poderia ser mais corajoso, ou simplesmente deixar de ser um menino em algumas horas.
Mercúrio se posicionou exatamente na frente de Netuno, que por sua vez, não fez nada.
Mercúrio se posicionou exatamente na frente de Netuno, que por sua vez, não fez nada.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Menino
Olhava para o teto. Estava deitado no meio da sala, rodeado de cartas, que já havia lido dezenas de vezes.
Estava prestando atenção em como o ventilador girava, e balançava essas folhas de versos cansados.
Meses antes daquele momento eu tinha tudo, e, pouco mais de um ano antes, muito mais, mas ali - deitado e pensante - eu só tinha minhas lembranças, algumas cicatrizes de seios afiados, contas atrasadas e meia dúzia de vícios e manias, que herdei de pessoas que, pelo menos para mim, estão mortas.
Tinha, também, minha rotina, que me levava mecânicamente às obrigações, ou por vezes me mantinha entretido para não pensar demais no rumo que a vida toma.
Apesar destes 'esforços', ainda me pegava pensando por demasiado em esperá-la na porta de sua casa, e jogar em seu colo branco tudo o que está engasgado em minha garganta doente. Mas para quê? Nada vai mudar por agora. Assim vou deixando o tempo correr, me distraindo com outras utopias, até chegar o momento que a verdade vai aparecer; ou simplesmente se fazer como verdade, já que o mundo ao redor á acredita nelas.
Também vou aprendendo nesse meio tempo. Aprendendo tudo que eu julgava saber, antes de perceber que sou um menino que caiu da cama e acordou de um sonho bom.
Um menino que acha graça na extura do papel rabiscado com ilusões cuspidas pela mente fértil do próprio.
Um menino que decidiu fechar os olhos para o tempo letivo do coração que seguirá, só para o tempo passar mais rápido.
Estava prestando atenção em como o ventilador girava, e balançava essas folhas de versos cansados.
Meses antes daquele momento eu tinha tudo, e, pouco mais de um ano antes, muito mais, mas ali - deitado e pensante - eu só tinha minhas lembranças, algumas cicatrizes de seios afiados, contas atrasadas e meia dúzia de vícios e manias, que herdei de pessoas que, pelo menos para mim, estão mortas.
Tinha, também, minha rotina, que me levava mecânicamente às obrigações, ou por vezes me mantinha entretido para não pensar demais no rumo que a vida toma.
Apesar destes 'esforços', ainda me pegava pensando por demasiado em esperá-la na porta de sua casa, e jogar em seu colo branco tudo o que está engasgado em minha garganta doente. Mas para quê? Nada vai mudar por agora. Assim vou deixando o tempo correr, me distraindo com outras utopias, até chegar o momento que a verdade vai aparecer; ou simplesmente se fazer como verdade, já que o mundo ao redor á acredita nelas.
Também vou aprendendo nesse meio tempo. Aprendendo tudo que eu julgava saber, antes de perceber que sou um menino que caiu da cama e acordou de um sonho bom.
Um menino que acha graça na extura do papel rabiscado com ilusões cuspidas pela mente fértil do próprio.
Um menino que decidiu fechar os olhos para o tempo letivo do coração que seguirá, só para o tempo passar mais rápido.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Mundos
Nós precisamos viver e aprender. Você precisa viver e aprender.
Precisa passar por muitos corpos - mesmo que me mate com isso.
Precisa aprender muitas coisas.
Conhecer as pessoas. Se conhecer, essencialmente.
Precisa saber o que fazer quando for traída, mas sem esquecer: "Um dia, trairá. Vai aprender que ainda não sabe amar".
Pecisa sentir o ciúme necessário para dar o valor devido.
Precisa de alguém que te ame profundamente - e de verdade - e que isso dure tempo suficiente para você ter boas lembranças.
Desejo que você possa aprender isso tudo, e quando aprender, dê uma volta pelo mundo, com uma ligeira pausa no meu mundo paralelo, só para ver "Se o mundo ainda é igual ao meu".
Precisa passar por muitos corpos - mesmo que me mate com isso.
Precisa aprender muitas coisas.
Conhecer as pessoas. Se conhecer, essencialmente.
Precisa saber o que fazer quando for traída, mas sem esquecer: "Um dia, trairá. Vai aprender que ainda não sabe amar".
Pecisa sentir o ciúme necessário para dar o valor devido.
Precisa de alguém que te ame profundamente - e de verdade - e que isso dure tempo suficiente para você ter boas lembranças.
Desejo que você possa aprender isso tudo, e quando aprender, dê uma volta pelo mundo, com uma ligeira pausa no meu mundo paralelo, só para ver "Se o mundo ainda é igual ao meu".
Convite
O silêncio vai gritando
Ensurdecendo a resposta,
E o bloqueio vai queimando...
Enquanto a chuva se empoça
A ligação vai caindo,
E eu disse que te escrevi uma bossa!
A onda que quebra no meu peito
Vem carregada de perdão,
O choro no nosso leito,
E a busca da redenção...
O pretérito perfeito
E meus versos na sua mão
As tuas armas tem defeitos
Como essa tal de 'paixão'.
Os pecados tão sem jeito
Quanto nossas roupas ao chão,
Meu ciúme, meu desejo
Transformam-se em obsessão.
Essa vida e os meus medos
Estão virando maldição,
O querer, o trastejar
A loucura do não sentir...
Tudo em cima da mesa
Com medo de repetir
As pessoas, os lugares, amores e o caralho
Marco cada um
Como cartas de um baralho
Com naipes coloridos
Feito cinzas do passado...
Ensurdecendo a resposta,
E o bloqueio vai queimando...
Enquanto a chuva se empoça
A ligação vai caindo,
E eu disse que te escrevi uma bossa!
A onda que quebra no meu peito
Vem carregada de perdão,
O choro no nosso leito,
E a busca da redenção...
O pretérito perfeito
E meus versos na sua mão
As tuas armas tem defeitos
Como essa tal de 'paixão'.
Os pecados tão sem jeito
Quanto nossas roupas ao chão,
Meu ciúme, meu desejo
Transformam-se em obsessão.
Essa vida e os meus medos
Estão virando maldição,
O querer, o trastejar
A loucura do não sentir...
Tudo em cima da mesa
Com medo de repetir
As pessoas, os lugares, amores e o caralho
Marco cada um
Como cartas de um baralho
Com naipes coloridos
Feito cinzas do passado...
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Roteiro
Cadê o Celso?
Pois é, o Celso que vive está sendo morto à facadas pelo Celso escritor imaginativo. Estou matando a vida, com uma "sonhada" de cada vez.
Bato com os sonhos na cabeça, até eles se tornarem mais fortes. Mais fortes que a realidade cinza ao meu redor.
Esfrego histórias sujas em feridas abertas, que estavam escondidas sobre as dobras do lençóis, que há muito tempo eu não deixo.
A caneta corre pelos papéis frenéticamente, criando rumos que a vida não levaria nem nos piores devaneios dos protagonistas.
O bloqueio mental também surge, nesse meio tempo.
Vou pelas gaúchas imaginárias, que me acusam de esquizofrenia, até os braços das ruivas mutáveis, que ainda arrepiam meus sonhos de madrugadas frias.
Meus pés não deixam mais as meias, e a barba já cresceu em meu rosto.
Vou indo de droga em droga buscando respostas, que na verdade são inexistentes. Eu mesmo estou acabando com a vida.
Estou preso, intencionalmente, num mundo de fábulas. Preso no roteiro de vida que eu escrevi, e ainda estou por terminar.
Pois é, o Celso que vive está sendo morto à facadas pelo Celso escritor imaginativo. Estou matando a vida, com uma "sonhada" de cada vez.
Bato com os sonhos na cabeça, até eles se tornarem mais fortes. Mais fortes que a realidade cinza ao meu redor.
Esfrego histórias sujas em feridas abertas, que estavam escondidas sobre as dobras do lençóis, que há muito tempo eu não deixo.
A caneta corre pelos papéis frenéticamente, criando rumos que a vida não levaria nem nos piores devaneios dos protagonistas.
O bloqueio mental também surge, nesse meio tempo.
Vou pelas gaúchas imaginárias, que me acusam de esquizofrenia, até os braços das ruivas mutáveis, que ainda arrepiam meus sonhos de madrugadas frias.
Meus pés não deixam mais as meias, e a barba já cresceu em meu rosto.
Vou indo de droga em droga buscando respostas, que na verdade são inexistentes. Eu mesmo estou acabando com a vida.
Estou preso, intencionalmente, num mundo de fábulas. Preso no roteiro de vida que eu escrevi, e ainda estou por terminar.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
.....................................
Ela volta. Eu sei que volta.
Ela deve estar só dando um tempo, num lugar qualquer, só para sair da rotina - que deve ter se tornado maçante para a liberdade dela.
Ela me deixou um bilhete, dizendo para eu me distrair nesse "meio tempo", mas nessas últimas semanas eu só tenho conseguido olhar para a porta, esperando o giro da maçaneta, seguido por sua entrada triunfal, com os cabelos ao vento da meia-noite, e seu rosto iluminado pela luz da lua.
Ela encontraria uma casa bagunçada e confusa, mas com um simples movimento de lábios - para formar a palavra "voltei" - faria tudo se ajeitar.
Jogaria fora as garrafas de bebida;
Apagaria o cigarro, que queima sozinho no cinzeiro;
Guardaria todos os remédios desnecessários;
Substituiria os lençóis sujos por limpos, com o cheiro dela;
Cresceria meu cabelo;
Alimentaria o corpo físico;
Voltaria com a velha rotina de trabalho.
Tantas mudanças...
O tempo está longo demais, e eu estou sem notícias.
Desisti de olhar para porta, e agora fito o telefone. Estou agindo como se ela realmente fosse ligar às 3 da manhã, só para me dar notícias.
Tenho, também, checado diariamente a caixa de correio, mas só recebo contas, que por sinal estão acumulando. Não me mandou um simples cartão postal da Terra do Nunca.
Hoje resolvi mudar. Resolvi parar de esperar, sem nem ao menos ter alguma certeza.
Tirei todas as cartas que escrevi, sem destinatário, de cima da escrivaninha e coloquei numa gaveta.
Resolvi queimar aquela foto de Polaroid que eu tirei enquanto você dormia;eu não preciso mais olhar para ela.
Fiz a barba. Tomei banho. Limpei a casa.
Me livrei dos índícios de álcool e nicotina que estavam espalhados por lá.
Fiz um chá de erva doce.
Recomecei.
Já se passaram dois anos desde o recomeço. Estou trabalhando num novo livro.
Acabou o chá de hortelã, vou sair para comprar mais.
Coloco os fones no ouvido, seleciono Chico Buarque e saio de casa.
Tempo ameno. Estou usando calças cáqui, uma camisa de flanela. Meu cabelo crescido balança ao andar. Estou de chinelos.
Chego ao mercado.
Estou no corredor de chás. Tiro um dos fones.
"Celso?!", ouço. Me viro e A vejo. É Ela. Ela. Ela.
- Já tem tanto tempo...- Ela diz.
- Dois anos - respondo.
- Você nunca mais me procurou.
- Eu procurei até perceber que eu precisava me encontrar, antes de procurar por qualquer coisa.
- Hum... Foi bom te ver! - me abraçou, e saiu andando.
Pensei em ir para o corredor de bebidas, e voltar para a escuridão que eu tinha saído.
Peguei duas caixas de chá.
Estou curado. Coração curado. Alma curada. Está tudo bem agora.
Ela deve estar só dando um tempo, num lugar qualquer, só para sair da rotina - que deve ter se tornado maçante para a liberdade dela.
Ela me deixou um bilhete, dizendo para eu me distrair nesse "meio tempo", mas nessas últimas semanas eu só tenho conseguido olhar para a porta, esperando o giro da maçaneta, seguido por sua entrada triunfal, com os cabelos ao vento da meia-noite, e seu rosto iluminado pela luz da lua.
Ela encontraria uma casa bagunçada e confusa, mas com um simples movimento de lábios - para formar a palavra "voltei" - faria tudo se ajeitar.
Jogaria fora as garrafas de bebida;
Apagaria o cigarro, que queima sozinho no cinzeiro;
Guardaria todos os remédios desnecessários;
Substituiria os lençóis sujos por limpos, com o cheiro dela;
Cresceria meu cabelo;
Alimentaria o corpo físico;
Voltaria com a velha rotina de trabalho.
Tantas mudanças...
O tempo está longo demais, e eu estou sem notícias.
Desisti de olhar para porta, e agora fito o telefone. Estou agindo como se ela realmente fosse ligar às 3 da manhã, só para me dar notícias.
Tenho, também, checado diariamente a caixa de correio, mas só recebo contas, que por sinal estão acumulando. Não me mandou um simples cartão postal da Terra do Nunca.
Hoje resolvi mudar. Resolvi parar de esperar, sem nem ao menos ter alguma certeza.
Tirei todas as cartas que escrevi, sem destinatário, de cima da escrivaninha e coloquei numa gaveta.
Resolvi queimar aquela foto de Polaroid que eu tirei enquanto você dormia;eu não preciso mais olhar para ela.
Fiz a barba. Tomei banho. Limpei a casa.
Me livrei dos índícios de álcool e nicotina que estavam espalhados por lá.
Fiz um chá de erva doce.
Recomecei.
Já se passaram dois anos desde o recomeço. Estou trabalhando num novo livro.
Acabou o chá de hortelã, vou sair para comprar mais.
Coloco os fones no ouvido, seleciono Chico Buarque e saio de casa.
Tempo ameno. Estou usando calças cáqui, uma camisa de flanela. Meu cabelo crescido balança ao andar. Estou de chinelos.
Chego ao mercado.
Estou no corredor de chás. Tiro um dos fones.
"Celso?!", ouço. Me viro e A vejo. É Ela. Ela. Ela.
- Já tem tanto tempo...- Ela diz.
- Dois anos - respondo.
- Você nunca mais me procurou.
- Eu procurei até perceber que eu precisava me encontrar, antes de procurar por qualquer coisa.
- Hum... Foi bom te ver! - me abraçou, e saiu andando.
Pensei em ir para o corredor de bebidas, e voltar para a escuridão que eu tinha saído.
Peguei duas caixas de chá.
Estou curado. Coração curado. Alma curada. Está tudo bem agora.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Trecho aleatório
Trecho de um 'conto' que estou escrevendo.
"Eu quero estar no seu coração. Nesse lugar que você tanto diz que está sobrando..."
"Não digo que está 'sobrando' "
"Deixa eu ficar aí... Deixa eu viver dentro de você!"
"Você está aqui dentro, mas me desculpe; eu não posso oferecer o lugar que você quer ocupar."
"Rodrigo, eu te amo mais do que qualquer outra garota já amou! E isso não vai mudar..."
"O lugar que queres está ocupado, e eu não sei por quanto tempo. A dona dele está viajando, e não tem prazo para volta. Não posso apenas dizer para esquecer, até mesmo porque se for verdade, não é uma coisa esquecível. Mas eu não vou te oferecer um lugar do qual eu posso lhe despejar bruscamente. Não seria justo com você."
"Essa é sua decisão?"
"Sim."
Luiza se retirou chorando. Daquele momento em diante eu não tinha mais ideia do que diabos aconteceria em minha vida.
"Eu quero estar no seu coração. Nesse lugar que você tanto diz que está sobrando..."
"Não digo que está 'sobrando' "
"Deixa eu ficar aí... Deixa eu viver dentro de você!"
"Você está aqui dentro, mas me desculpe; eu não posso oferecer o lugar que você quer ocupar."
"Rodrigo, eu te amo mais do que qualquer outra garota já amou! E isso não vai mudar..."
"O lugar que queres está ocupado, e eu não sei por quanto tempo. A dona dele está viajando, e não tem prazo para volta. Não posso apenas dizer para esquecer, até mesmo porque se for verdade, não é uma coisa esquecível. Mas eu não vou te oferecer um lugar do qual eu posso lhe despejar bruscamente. Não seria justo com você."
"Essa é sua decisão?"
"Sim."
Luiza se retirou chorando. Daquele momento em diante eu não tinha mais ideia do que diabos aconteceria em minha vida.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Confusão
Você me confunde. Da cabeça aos pés
Eu pensei, e você confundiu todos os pensamentos.
Ao mesmo tempo que eu estava tomado de raiva pelas suas indiretas, eu queria te dar um abraço forte.
Ao mesmo tempo que eu queria arrancar meus sentidos, para ver se você parava de bagunçá-los, eu queria muito sentir o cheiro do seu cabelo, que sempre sobe quando você passa por mim.
Ao mesmo tempo que eu queria matar seu amigo... Bom, isso não mudou, mas para isso existe chá de camomila.
Vi você vestir tantas faces. Semblantes descarados desde do ódio volúvel, até um misto de arrependimento com saudade.
Você é louca. E é disso que eu gosto em você.
Do seu jeito você é imprevisível. E com a sua imprevisibilidade você me confunde. E com essa confusão eu escrevo.
Eu pensei, e você confundiu todos os pensamentos.
Ao mesmo tempo que eu estava tomado de raiva pelas suas indiretas, eu queria te dar um abraço forte.
Ao mesmo tempo que eu queria arrancar meus sentidos, para ver se você parava de bagunçá-los, eu queria muito sentir o cheiro do seu cabelo, que sempre sobe quando você passa por mim.
Ao mesmo tempo que eu queria matar seu amigo... Bom, isso não mudou, mas para isso existe chá de camomila.
Vi você vestir tantas faces. Semblantes descarados desde do ódio volúvel, até um misto de arrependimento com saudade.
Você é louca. E é disso que eu gosto em você.
Do seu jeito você é imprevisível. E com a sua imprevisibilidade você me confunde. E com essa confusão eu escrevo.
Pequena
Acordei meio sem esperança. Saí pela neblina, já até imaginando aquele rosto familiar se desviando de mim outra vez.
Passei o dia pensando nisso.
Fiquei olhando de longe, enquanto a beleza dela gritava no silêncio formado entre nós, e percebi que era desconfortável para os dois.
Bloqueado, literáriamente, não consegui escrever para me expressar, mas decidi não explodir numa poça de água salgada.
Passei pelo corredor, cabeça baixa para não ver, e ela veio até mim. Foi o abraço mais redentor do mundo.
foi o abraço mais aliviante. Foi o abraço mais louco, e se fez como o melhor abraço.
Espero que nunca perca o endereço desse abraço de novo. Duas vezes é demais para mim.
Passei o dia pensando nisso.
Fiquei olhando de longe, enquanto a beleza dela gritava no silêncio formado entre nós, e percebi que era desconfortável para os dois.
Bloqueado, literáriamente, não consegui escrever para me expressar, mas decidi não explodir numa poça de água salgada.
Passei pelo corredor, cabeça baixa para não ver, e ela veio até mim. Foi o abraço mais redentor do mundo.
foi o abraço mais aliviante. Foi o abraço mais louco, e se fez como o melhor abraço.
Espero que nunca perca o endereço desse abraço de novo. Duas vezes é demais para mim.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Monte Olimpo
Um dia abre os olhos e diz que não está bem, e o dia passa maravilhosamente.
Num outro, aleatório, abre os olhos e promete uma beleza total ao dia, que por sua vez trata de foder com exatidão as 24 horas.
Na cabeça está aquela velha vontade de amarrar asas aos pés dela, tais como as de Hermes, para deixá-la sair da Terra um pouco, e resolver as coisas com um abraço. Ela não gosta do ar.
No ser está aquela vontade de sempre, de adicionar guelras e nadadeiras aquele corpo, para jogá-la ao oceano e sentir a liberdade, para largar o desdém nos destroços de um navio naufragado, e voltar pronta para o abraço redentor. Ela não gosta de água.
De novo, eu espero. Carregando, como Atlas fez com o mundo, a indiferença nas costas. Mas amanhã já está aí...
Num outro, aleatório, abre os olhos e promete uma beleza total ao dia, que por sua vez trata de foder com exatidão as 24 horas.
Na cabeça está aquela velha vontade de amarrar asas aos pés dela, tais como as de Hermes, para deixá-la sair da Terra um pouco, e resolver as coisas com um abraço. Ela não gosta do ar.
No ser está aquela vontade de sempre, de adicionar guelras e nadadeiras aquele corpo, para jogá-la ao oceano e sentir a liberdade, para largar o desdém nos destroços de um navio naufragado, e voltar pronta para o abraço redentor. Ela não gosta de água.
De novo, eu espero. Carregando, como Atlas fez com o mundo, a indiferença nas costas. Mas amanhã já está aí...
Assinar:
Comentários (Atom)
