Olhava para o teto. Estava deitado no meio da sala, rodeado de cartas, que já havia lido dezenas de vezes.
Estava prestando atenção em como o ventilador girava, e balançava essas folhas de versos cansados.
Meses antes daquele momento eu tinha tudo, e, pouco mais de um ano antes, muito mais, mas ali - deitado e pensante - eu só tinha minhas lembranças, algumas cicatrizes de seios afiados, contas atrasadas e meia dúzia de vícios e manias, que herdei de pessoas que, pelo menos para mim, estão mortas.
Tinha, também, minha rotina, que me levava mecânicamente às obrigações, ou por vezes me mantinha entretido para não pensar demais no rumo que a vida toma.
Apesar destes 'esforços', ainda me pegava pensando por demasiado em esperá-la na porta de sua casa, e jogar em seu colo branco tudo o que está engasgado em minha garganta doente. Mas para quê? Nada vai mudar por agora. Assim vou deixando o tempo correr, me distraindo com outras utopias, até chegar o momento que a verdade vai aparecer; ou simplesmente se fazer como verdade, já que o mundo ao redor á acredita nelas.
Também vou aprendendo nesse meio tempo. Aprendendo tudo que eu julgava saber, antes de perceber que sou um menino que caiu da cama e acordou de um sonho bom.
Um menino que acha graça na extura do papel rabiscado com ilusões cuspidas pela mente fértil do próprio.
Um menino que decidiu fechar os olhos para o tempo letivo do coração que seguirá, só para o tempo passar mais rápido.
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