domingo, 25 de setembro de 2011

Sufoco

  Tá na hora de viver. Na verdade já passou da hora. Passou da hora de tentar; de tentarmos, na verdade. 
  Deixando tudo para depois eu corro riscos, que infelizmente me encontro impossibilitado de transpor. Mas sejamos sinceros: depois de cada barreira que eu superei, depois de cada desencontro que nós tivemos, depois de cada cigarro para queimar o medo, o que são alguns riscos? Riscos são tempero agridoce nesse conto de Carochinha que virou minha vida.
  Então me diz que vamos arriscar. Me diz, por todos os seus sonhos, que você aceita as condições dessa minha vida. Que aceita vir até o topo dessa minha montanha de dor, e morar aqui um tempo.
  Vamos arriscar, eu preciso disso.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Alô

 "Há quanto tempo estou aqui excluída, sem falar com ninguém e desligada do mundo lá fora?" se perguntava a guria. Já havia perdido as contas do número de horas que ficou a esperar por alguma notícia... Alguma carta, ou pelo menos um telefonema, só para dizer que estava tudo bem.
  Uma lágrima solitária escorreu por seu rosto de alabastro.
  Ao longe ela ouviu uma voz familiar chamar seu nome. "Teu telefone toca, querida!" dizia a voz. Ela correu para atender.
  "Alô." ninguém a respondeu. Ela insistiu; nada.
  O telefone fez barulho de ocupado. A pessoa do outro lado desligou.  
  "Por quê?" ela se perguntava. Não sabia. As lágrimas apenas foram voando de seus olhos. Ela continuava sem notícias do mundo lá fora. Sem nada que a motivasse.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ma Belle II

  Só o seu 'talvez' tá me bastando. Tô esquecendo todas as minhas outras preocupações embaixo desse tapete de incertezas, no qual você anda de um lado para o outro. E eu só acompanho com meus olhos.
  Sento contigo nessa gangorra que tem sido o futuro, e dou risada das tuas constantes hesitações; eu acho que deveria me preocupar com as tuas decisões, mas desisti disso. Afinal, o que tiver de ser, será. Nem mesmo as tuas amargas decisões podem mudar isso, ma belle.
  

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cadê?

  Cadê você? Já olhei pela casa inteira e não encontrei nada seu.
  Cadê você? Já perguntei pela vizinhança, e eles nem parecem te conhecer.
  Cadê você? Acho que você ficou com meia dúzia de sentimentos meus.
  Cadê você? Se você foi embora, podia ter ao menos deixado um bilhete.
  Cadê você? Já revirei as bitucas do meu cinzeiro, procurando alguma com a marca do teu batom.
  Cadê você? Já entornei tantas garrafas para acabar com a solidão...
  
  Acho que já está na hora de você voltar, de onde quer que você esteja. Não aguento mais esse vazio que você deixou no lado direito da cama. Volta, vai?!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Destino

  Abri minha porta, e me deparei com a minha casa completamente bagunçada. Minhas gavetas estavam reviradas pelo chão... Eu sentia um cheio de queimado... Fui entrando pela casa, e vi que tudo o que havia de valor material estava intacto; descartei a possibilidade de assalto.
  Entrando no meu quarto me deparei com a fonte do cheiro de queimado: uma cesta de lixo, completamente lotada de cinzas, com um bilhete numa folha vermelha logo ao lado, que dizia:
  "Aqui eu queimei todas as fotos que você não tirou, junto com as cartas que você não recebeu. Acendi o fogo com a chama de uma paixão que nem teve tempo de nascer; quebrei aqui, também, alguns vídeos de viagens que você nunca fez, que acredito, não vão lhe fazer falta.
  Atenciosamente, Destino."
  Descobri que foi o maldito Destino que invadiu minha casa dessa maneira, apenas com o propósito de destruir tudo o que eu nem ao menos construí.
  Obrigado, Destino, por magoar meu coração que nem chegou a pulsar.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dèja Vú

  ... E cá estou eu, outra vez, escrevendo sobre recomeçar. Andando pela minha sala de estar, que já se tornou cenário de um drama mexicano, fico juntando meus cacos, e lotando minha mente com qualquer droga que me tire do ar por algumas horas.
  ... E cá estou eu, de novo, queimando fotos que eu não me lembro de tirar; rasgando umas cartas que eu acho que não li... Excluindo cada vestígio dela dessa vida bitolada que eu tenho levado.
  ... E cá estou eu, novamente, fingindo rir quando meus olhos choram vento, para encenar minha peça onde lágrimas não entram; peça onde o Pierrot apaixonado não chora mais, porque sabe que a Colombina não vai fazer nada além de ignorá-lo.
  ... E cá estou eu, saindo da minha rotina de lamentações e, mais uma vez, recomeçando.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ma belle

  Não me dê satisfações, não faço questão de saber por onde você anda; tudo o que me interessa é saber de você quando você está comigo.
  O que você sente, como você gosta, e saber também de qualquer bobagem  que você julgar pertinente.
  Quando nosso tempo acabar, vamos viver um pouco a sólida realidade, e deixar nossas utopias bem guardadas, ma belle.

Ventania

Te puxo pelas claves,
Te levo pra minha partitura, que eu guardo no lado esquerdo do meu peito;
Lá eu te garanto que vai estar tudo perfeito,
como deve ser nessa vida de óperas.
Mas, não sei qual tom eu vou seguir,
Pois essa música eu nem mesmo ouvi
Então já me desculpe por errar e,
Desse blues, eu vou lá pra bar.
Será que vais me acompanhar?
Será que já devia me importar?
Será?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ella

  Acordei com ela do meu lado, deitada no meu peito. Levantei, com cuidado, para não acordá-la. Fiz café. Deixei sua caneca de café pronta; sem açúcar, do jeito que você gosta.
  Avistei-a cambalear, sonolenta, até o banheiro, de onde saiu com cheiro de menta, e cara de quem dormiu bem. E foi bem o que ela me disse. "Dormi tão bem!"
  Ganho logo um beijo de bom dia, e dou uns goles no meu café. Fico olhando para ela... Tão linda.
  De repente desperto minha mene, e me lembro de que tenho que viver fora dela um pouco. Deixo essa utopia guardadinha, para quando eu tiver tempo de sonhar de novo.
  Até mais, ma belle!

domingo, 11 de setembro de 2011

'Evaporar'

  Num certo dia eu ouvi numa música da Fresno o seguinte verso: "Não é todo rio que tem um mar para se encontrar.". Esse verso nunca fez sentido para mim; até agora.
  Quando duas pessoas são completamente diferentes, e se dão bem; quando essas pessoas criam um laço tão forte, que o simples fato de ficar longe algumas horas aperta o peito; quando nasce um amor extremamente forte em uma dessas pessoas, e esse amor não ganha reciprocidade no outro lado. Quando essa história não é o cliche de 'os-opostos-se-atraem'. É disso que essa música fala: não é todo rio, calmo, paciente, que consegue encontrar um mar, bravo, inconstante, e ter um final feliz. Não é todo rio que tem um mar para se encontrar.

'Evaporar'

  Num certo dia eu ouvi numa música da Fresno o seguinte verso: "Não é todo rio que tem um mar para se encontrar.". Esse verso nunca fez sentido para mim; até agora.
  Quando duas pessoas são completamente diferentes, e se dão bem; quando essas pessoas criam um laço tão forte, que o simples fato de ficar longe algumas horas aperta o peito; quando nasce um amor extremamente forte em uma dessas pessoas, e esse amor não ganha reciprocidade no outro lado. Quando essa história não e o cliche de 'os-opostos-se-atraem'. É disso que essa música fala: não é todo rio, calmo, paciente, que consegue encontrar um mar, bravo, inconstante, e ter um final feliz. Não é todo rio que tem um mar para se encontrar.

sábado, 10 de setembro de 2011

Ibirapuera

  ... E as árvores passavam como um borrão. As folhas pareciam perder aquele verde vivo de sempre. De vez em quando eu parava, mas enxergava monstros nos rostos das pessoas; era melhor ficar em movimento.
  Passei por um rio. Aquele rio corria... Fluia calmamente, apesar da pressa da cidade que o cercava.
  ... E as árvores passavam como um borrão. O cinza do céu parecia se aproximar cada vez mais, e sempre que eu parava, via seu rosto em algum corpo qualquer; bastava piscar para você desaparecer. Você, meu monstro particular.
  ... E o cinza começou a ficar mais escuro. Era a noite chegando. Minha vontade era de ficar ali para sempre. Aquele lugar me faz bem. Me traz lembranças que eu nunca vivi ali, naquele pedaço de floresta. Com você.

domingo, 4 de setembro de 2011

Tic-tac

  ...E o relógio continua naquele tic-tac infindável, tentando a todo custo me passar a mensagem de que o tempo não espera. Eu já entendi.
  E o que me resta fazer, Sr. Tempo, além de esperar? Além de sentar nesse velho balanço do parquinho abandonado e ver a 'vida' passar lentamente. Não sei se já reparou, mas todos os meus esforços não adiantaram, então hoje em dia tanto faz se o tempo corre, voa, caminha, ou rasteja. Só quero continuar balançando e esperando.
   ...E o relógio continua naquele tic-tac infindável, tentando a todo custo me passar a mensagem de que o tempo não espera. Eu já entendi.
  
 
 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Palavras, apenas.

  Criei no seu sorriso morada para minha alegria, fazendo dos sonhos realidade, espelhados nesse alabastro convidativo que são seus dentes.
  Na sua pele desenhei todo o mar que Iemanjá me deu, e mergulhei sem pensar duas vezes. E, apesar disso tudo, nem sei seu nome.
  Continuo pensando se isso foi realmente de verdade, ou se foi sonho. Utopia do destino que une e separa os pensamentos; filosofando só para passar o tempo da noite fria que veio atormentar. É tormento porque não passa, e nem tem olhar para esquentar. Até mesmo porquê de tão longe, o calor viraria uma pedra de gelo tão densa que não derreteria nem embaixo das minhas cobertas de perdão.
  A essas horas já nem sei mais sobre o que eu escrevo. São apenas palavras que pedem pra sair. Só isso.
 

Não Dá

  Ah, mas dói. Dia sim, dia não, mas dói. E quando pega pra doer, dói além da conta.
  Dói deixar amor ir embora, e não se desprender de verdade. Você fica torcendo pra que dê tudo certo, e acaba esquecendo que tem que esquecer. Esquecendo que tem que re-aprender a viver.
  Você pensa que é simples cumprir com aquela velha promessa de que vai deixar tudo pra trás e começar de novo. No fundo, você sabe que não dá.

  Não dá.

Lembranças

  Estava sentado no sofá, tomando meu querido chá mate, e comecei a lembrar de algumas coisas que aconteceram há mais de um ano atrás.
  Lembrei-me de quando conheci aquela garota que modificou minha vida de um jeito inacreditável. Lembrei-me daquele tempo em que ela ficava nervosa do meu lado; tremia tanto! Eu achava aquilo lindo!.
  Lembrei-me, também, daquele sorriso, que mesmo de aparelho, me encantava, e tinha o poder de transformar qualquer dia ruim em um dia magnífico.
  Nessa época eu desenhava. Eu a desenhei, usando sua calça roxa e uma camiseta da sua banda preferida. Ela ainda tinha cabelos castanhos, com algumas partes loiras.
  Ela colocou o desenho num cortiça, em seu quarto cor-de-rosa, e lá ele ficou durante algum tempo. Hoje em dia ele pode estar rasgado, no lixo, ou perdido em uma gaveta qualquer.
  Lembrei-me da primeira vez que vi seu sorriso sem aparelho; simplesmente o mais lindo. E ainda é, até hoje. Lembrei-me de sorrir ao vê-la corar diante dos meus elogios.
  Lembrei-me, com um aperto no coração, de quando ela pintou o cabelo de ruivo. Ficou... Linda, por falta de adjetivo melhor. Junto com essa lembrança, veio a daquele dia em que ela trocou a calça roxa, por uma preta. Confesso que fiquei aliviado.
  Lembrei-me da felicidade dela ao fazer o tão esperado piercing no nariz.
  Vi aquela garota crescer, de certa forma. Digamos que de semente ela virou uma muda, que foi colocada em outro quintal, e por lá deu frutos.
  Ainda não sei dizer se foi bom lembrar de todos esses detalhes; dessa vez não tive culpa, elas simplesmente chegaram, entraram na minha mente, e foram cuspidas num pedaço de papel, que virou uma carta sem remetente.

  "O esforço para lembrar é a vontade de esquecer." - 'O Vento', Los Hermanos.