Me lembro bem.
Talvez boa memória não seja lá muito saudável, mas não consigo fazer diferente. Todos os sinais, todas as palavras soltas no ar que me diziam para ir embora antes que fosse tarde demais... Tudo que ela disse sobre o Amor. E eu resolvi ficar.
Tanto tempo depois - talvez vidas e mais vidas - e me pergunto: aguentaria tudo isso de novo? Toda a luta vã e todo o cansaço mental, físico e emocional, em outrora, não me trouxeram nada. Por quê agora seria diferente? Os sinais são os mesmos e, minha cegueira, também.
Lágrimas me lotam os olhos só de pensar. Seria outra facada na mesma ferida.
Que chance tenho eu? Seus portões estão fechados e não faço ideia de como abri-los. Morro de medo só de pensar em não conseguir. Morro de medo por motivos demais, talvez.
Mas e as músicas que tocam no seu rádio e te fazem lembrar de mim significam alguma coisa? Diga-me, Milly Michaleson. Preciso saber o que se passa nesse teu fogo de um outro index.
Não posso ser mais um a respirar fumaça do incêndio que vem de dentro de mim. Seria inaceitável.
Amor não se pede, não se implora e tão pouco se compra. Não quero ter de olhar para os teus olhos e dizer as palavras num tom cantado justamente para lhe convencer. Só quero poder olhar no fundo dos teus olhos tão mais belos e entender que o sim já fora dito há mais tempo do que a matemática humana pode calcular.
Me sinto atingindo o chão, meu amor. Mas, já cantara Joshua:
"It's only falling in love because you hit the ground."
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