De nada adianta exorcizar nossos demônios. Eles nunca vão embora. É preciso doutriná-los.
"I can't drown my demons, they know how to swin.".
Eu sou meu próprio demônio. Estou preso dentro de mim mesmo e não sei como ir embora.
Há tempos, ouvi de um amigo que não devemos saber muito, ou jamais conseguiremos voltar a conversar com alguém, afinal, as conversas tenderiam a ter níveis intelectuais inferiores.
Não sei nada e sempre sinto que ninguém entende. O único momento em que não me sinto só é quando estou sozinho. Isso é o maior paradoxo da história. Sou minha única companhia fiel; o único que me entende, me ouve e me ajuda, mesmo que em silêncio. Eu e apenas eu entendo meus próprios devaneios, partilho dos meus gostos e medos.
Estou confortavelmente dentro de uma concha, onde todas as condições são favoráveis para que daqui eu não saia.
O que aconteceu comigo?
Certo dia li que é horrível quando uma pessoa boa se deixa levar pelas coisas ruins que lhe acontecem. Será que sou um desses casos? Me deixei enclausurar pela dor e pelo conhecimento até me tornar esse megalomaníaco eremita moderno? Sinto como se nunca fosse sair daqui, de dentro de mim mesmo.
Cada faceta da vida me soa mentirosa. Não sou quem vivo. Só sou eu mesmo quando estou sozinho.
Sou o poeta solitário do fim do bar, que jamais se casou, teve amigos ou sequer contou pra alguém o que sentia. Escreveu alguns livros mas nada na vida jamais lhe fora significativo.
Eu sou o poeta triste que não consegue mudar. Que toda vez que tenta, cai em desespero livre como um suicida se jogando do topo de um prédio no centro da cidade. Dói quando toca o chão.
Pior do que isso, sou o suicida que não morre. Que não se liberta. Quebro pernas, braços, sofro traumas cranianos, mas jamais me liberto por completo. Cada dia com mais arranhões, fraturas dores e frustrações para tratar.
De nada adianta exorcizar nossos demônios. Eles nunca vão embora.
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