Vez ou outra engasgo com seu nome preso na garganta. Suas cinco letras ainda hão de me asfixiar.
Às vezes penso que sonhei com você. Mas não, não pode ser. Não é. Eu não posso querer que seja. Eu preciso olhar pra frente e deixar os vestígios da sua existência no meu mundo pra trás. Quem disse que é fácil, não é? Não é.
Sinto sua falta todos os dias. Não é uma saudade comum. Não é saudade de ver você, conversar ou passar horas falando sobre nada. É saudade da alegria. Saudade do pouco que pude sentir de uma felicidade extrema ao olhar fundo nos seus olhos. Sinto falta de acordar de manhã e lembrar da sorte que havia me tocado junto com seus lábios. No fim das contas, acho que sinto falta de mim. Eu já fui melhor, sabe...
Há tempos não acordo feliz e saio por aí, apenas para ver o dia clarear; não me lembro qual foi a última canção que escrevi. Minha vida se transformou num livro repetitivo e melancólico. Quase voltei a fumar.
Isso foi uma dose minúscula de você. Me pergunto diariamente o que teria acontecido se houvesse mais. Se você tivesse me deixado depois de anos. Não acho que estaria escrevendo sobre isso.
Todos os dias, Lívia, eu tento. Eu levanto da cama, faço o café, escrevo, me distraio. Tenho até voltado a me exercitar como antes! Mas eu sempre sei que falta alguma coisa - e não é algo abstrato. Eu sei bem o que é.
A parte mais difícil é conhecer outras e saber que, no fundo, nenhuma delas sequer se parece com você. É algo inconscientemente consciente em que penso. Conheci moças brilhantes, eu diria. Grandes futuros, mentes, belezas. Algo falta, em todas elas. Ou melhor, acho que algo falta em mim.
Não acho que o raio da paixão caia duas vezes no mesmo lugar, da mesma forma. A forma como você aconteceu foi única e maravilhosa. Desde quando você chegou, ficou e se foi. Não posso querer a mesma sorte duas vezes. É contra as leis da vida ter tamanha felicidade. E não é remoer o que já passou, não. Tenho plena consciência do que é passado e do que é presente. Não vivo uma utopia esperando que você vá romper pela porta qualquer hora e dizer que sentiu minha falta. Seria muito fácil viver assim, escondido num sonho que deveria estar numa camisa de força. Eu sei que passou. Passou e levou um pouco de mim. Levou uma parte crucial de mim.
Vou vivendo. "Vivendo". Vou existindo. Passo brechas do tempo um pouco feliz até lembrar que me foi amputada uma boa parcela vital. E, devo dizer, não demoro nem um pouco para lembrar disso.
É triste viver assim, Lívia, e acho que você bem sabe. Das poucas alegrias que tenho hoje em dia, uma delas e você estar amando. Algo de bom, ao menos! Eu posso ter caído, mas você se recuperou. Você levantou e não desistiu, não ficou no chão se lamentando. Quero ser como você quando eu crescer. Levantar, apesar das pernas extremamente feridas, e amar sinceramente, se entregando, apesar do coração com queimaduras de terceiro grau. A vida segue; devemos querer e saber viver.
Obrigado pelas lições. Sempre começo a escrever com dor e termino com algo bom. Acho que isso é uma metáfora para "amar".
Sem nada,
Celso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário