Escrever já não ajuda tanto. Acho que só piora a situação.
Preciso chorar e aguar tudo que houver aqui dentro. Há tempos venho guardando lágrimas e dizendo a mim mesmo para ter paciência. Vivo essa ilusão de que paciência ajuda desde que aprendi que não dá pra viver sozinho.
Nesse momento sinto a angústia na sua forma física. Parece que uma bola de tênis tomou o lugar do meu coração e está ricocheteando pelas minhas costelas. Sempre achei que "meu peito dói" fosse uma metáfora, mas não é. Realmente está doendo nesse momento.
Essa angústia é incerteza, saudade, medo. Essa angústia é desejo, fraqueza, impossibilidade. É você dizendo meu nome e saindo pela porta sem se despedir. Essa angústia é Luz que me cega e não ilumina nada. Essa angústia é palpitação, taquicardia, problema cardíaco e um futuro infarto. Talvez seja porque eu fumei demais... Ou talvez por ter amado demais.
Nesse momento eu quero chorar muito, tudo que eu puder chorar, mas parece que todas as lágrimas do mundo ficaram no caixão do meu pai, quando eu chorei de verdade pela última vez. Quanta coisa eu venho guardando nesses oito anos?
Essa angústia não vai embora e o peito continuará doendo. Não há droga que me faça esquecer e nem conversa que faça parar. Não há escrita que amenize a dor de não conseguir sentir-me pleno. Me sinto cada dia mais rebaixado pelo mundo ao meu redor. Me sinto sozinho num caminho escuro que escolhi trilhar sem nem saber onde ele vai dar.
Vivo essa eterna dúvida, esse eterno Pierrot-retrocesso, remoendo o mesmo amor perdido da mesma Colombina. Vivo essa vida estranha, de dias gastos e rotina esmagadora. Vivo querendo um drink, sendo que não bebo. Imploro cigarros, mas não fumo. Peço por amor, mas não sei amar. Peço para que me entendam sendo que nem eu mesmo o faço. Cobro do mundo o que eu não quero que cobrem de mim.
Sou esse merda, no fim das contas. Esse eterno problema, essa bola de neve que julgam como algo da idade, passageiro. Tenho muito o que viver e aprender, mas agora dói.
Nesse exato momento dói por ela. Aquela moça que não terá tempo pra mim. Agora eu quero chorar um amor que não sei se vai vigorar. Chorar de soluçar por algo que ainda nem aconteceu. É, querido leitor: estou sofrendo tudo isso por antecipação. Antes de me julgar um bosta por isso, saiba que o final dessa minha história é tão óbvio que chega a ser um clichê ridículo.
Cara pisciano, apaixonado. Moça geminiana, racional. Ele acredita na força do amor e na energia dos Orixás, crê na providência divina e no destino; ela diz que amor só machuca e faz perder tempo. Vive com os pés no chão. Ele quer mudar isso, convencê-la do contrário. Ele aceitou a tarefa hercúlea sem saber se aguentaria.
Ele parece obter algum sucesso, mas esquece que a vida joga contra. Ela estuda, se exercita e quer ser diplomata. Sete dias de 24 horas numa semana não são suficientes para ela fazer tudo isso. Onde ele se encaixaria, meu caro leitor? Em qual canto dessa bagunça organizada ele está? Não há "dia dele" na agenda dela. Ele é o acaso, o dia estranho, incomum. Ele está no dia que a chuva a impede de ir correr no parque; ele está no dia em que ela decide ficar em casa e ver um filme. Ele não é certeza de nada. Ela não pensa em mudar isso, não. A vida dela está planejada e nada mudará. Não há força do pisciano que mude a geminiana racional.
E a vida e seus jogos podem trazer outro homem, com interesses à altura. Ah se pode! Alguém comprometido com estudos, que tenha lido Kafka o suficiente para parecer mais inteligente do que Ele. Alguém que a interesse de um jeito bom, que não seja diferente do jeito dela. Alguém como ela. Ela se apaixonaria por ela mesma e Ele choraria.
O final é óbvio, amigos. Mais óbvio do que qualquer baboseira hollywoodiana.
É por esse fim que me pego choramingando pelos cantos. É pela impossibilidade de mudar o rumo dessa história. Eu sinto que não há força de vontade que mova a montanha do coração dela. O pior de tudo é não conseguir fugir antes que a história tome tais proporções. Já provei desse crack mortífero e vou até a morte. Vou até emagrecer e trocar tudo ao meu redor por mais um trago daquela maldita pedra. Vou até enlouquecer e morar na parte mais baixa da cidade. Vou até esse vício me tornar algo mais nojento que uma barata. Vou até valer menos do que um pombo manco. Não há nada que eu possa ou queira fazer para mudar isso. Por isso eu queria chorar: não ajuda, mas alivia. Alivia a pressão de aceitar um destino tenebroso como esse sem resignação alguma. Ajudaria a lutar sem parar sabendo que não vou vencer.
Nesse momento, vejo que tudo é uma mentira. Tudo que eu acreditei é mentira. Nem tudo têm dois lados. Essa história, por exemplo... Por mais que eu não queira dizer. Por mais que eu não queira verbalizar o meu pessimismo, ele não me deixa mentir. Ela só está de passagem pela minha vida. Ela só veio me lotar com cicatrizes feias, que vou dizer aos meus netos que ganhei na Guerra Perdida do Amor, para que eles me achem um homem um pouco mais interessante do que um velho fedendo a naftalina.
Nessas horas, meus caros, não há nada a fazer senão chorar. Mas nem isso eu consigo. Nasci imprestável para os sentimentos. Infelizmente.
É isso que eu ganho por não querer a sorte de um amor tranquilo. Eu tanto pedi por algo que me tirasse o sono que cá estou, sem dormir. Se eu pedi, eu vou aguentar. Apesar de parecer hipócrita, numa coisa eu acredito: Deus não nos dá uma cruz maior do que a que podemos carregar. Seguirei meu caminho tortuoso com a minha nas costas, esperando que toda essa bosta que eu estou prestes a fazer sirva de lição para alguém além de mim. Espero que minha dor ajude alguém. Espero que dessa dor, surja algo bom, para variar. Que assim seja, então!
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