Aluguei um apartamento no meio de uma Avenida; o teu corpo é essa Avenida.
Eu sento numa cadeira em frente a janela, com um maço de cigarros no colo, e uma garrafa de uma bebida qualquer no chão, logo ao meu lado. E por lá eu fico.
Eu vejo estranhos passarem por ali. Eu ouço teu coração bater - cada dia mais lento. Eu sei que teu corpo não tem bombeado sangue suficiente para ele continuar vivo.
Eu assisto teus pulmões inflarem e murcharem com uma lentidão preocupante. Algo falta ali.
Eu te gritei, mas você não respondeu.
Tenho a leve impressão que você esqueceu do meu apê; deve ser porque ele está muito no fundo da sua mente. Numa parte escura, e cheia de teias de aranha. Agora, parando para pensar, nem luz eu tenho lá!
Tô aqui, esquecido. Esquecido e preocupado. E - é claro - querendo saber se você vai lembrar de mim um dia.
Eu, que fazia teu corpo bombear bastante sangue quente para o coração bater com vigor; eu, que sempre acelerei tua respiração, de modo que teus pulmões nem aguentavam, e te faziam ofegar. Eu, que sempre te mantive em perfeita ordem e harmonia.
Não me deixe preso aqui pra sempre.
Por favor, meu amor, cuida de mim. Cura meu pranto; e não esquece do 'nós' para poder sair.
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