Existe um menino sentado numa cadeira de balanço, com um caderno e um lápis nas mãos, olhando para o horizonte, e escrevendo histórias. Mudando a vida das personagens, escolhendo destinos, colocando as pessoas certas nos lugares certos - por vezes o contrário -, escrevendo falas bonitas, e etc.
Esse menino, certa vez, escreveu uma história complicada, colocando duas personagens, sem nada em comum, apenas o destino, que anda ao lado, juntos. Com alguma coisa a fazer. Nós somos essas personagens.
Esse menino nos descreveu como terra e água; luz e escuridão; colorido e opaco; branco e preto. Mas mesmo assim uma força maior não nos deixava longe um do outro. Machuca quando isso acontece.
Ao longo da história são reveladas algumas respostas às personagens, mas é claro, de maneira subliminar. Como quando descobrem que suas linhas místicas do destino, dos amores e da vida, que se encontram nas mãos, são iguais. Mas, o que isso quer dizer?
Ninguém nos explicou. Hoje a história se bifurcou. Nos encontramos separados um do outro, e com certeza feridos e magoados. Dessa vez não falo por mim.
Não sei com exatidão o que esse menino anda escrevendo na história do lado de lá, mas eu posso imaginar: dor. Saudade, talvez. Agitação, para se esconder de si mesma. Orgulho. Vontade de odiar, mas só vontade. Aquele sentimento de que falta alguma coisa. Palavras que vão e voltam, nos momentos em que abre uma janela de conversa, mas desiste e a fecha. Incompreensão, ao ainda se encontrar protagonizando histórias secundárias escritas por uma das personagens desse conto infindável que vivemos. Espera, aguardando uma folha de papel dobrada em quatro passar por baixo da porta, dizendo 'me desculpe, estou com saudades', ou mesmo checando com uma frequência maior do que antes sua caixa de entrada de e-mails, só para ver se há algum verso lá.
Ou também pode estar ignorando tudo. Não estar pensando mais em absolutamente mais nada que envolva meu nome. Pode ter queimado cada carta, antes do pranto acabar. se livrado do desenho que estava na cortiça do teu quarto. Apagado todas as mensagens, tanto do celular, quanto das redes sociais. Pode ter nojo de cada letra que eu escreva, e nem querer mas olhar nos meus olhos.
Ou achou uma maneira alternativa, só para me surpreender, como sempre fez.
Talvez esse menino tenha um plano maior para nós dois. Eu sei que tem. Só está esperando o momento certo para escrevê-lo. Esse momento pode ser hoje... Amanhã... Ou, até mesmo, em dez anos...
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