terça-feira, 19 de julho de 2011

"Mais um Soldado"

  Eu te despi da vergonha, da estagnação, dos medos, do passado, e de muitas outras coisas. Te deixei nua de defeitos na minha cama. Apenas você e sua pele de gesso.
  Você se acomodou e ficou por um tempo. Resolveu levantar.
  Vestiu uma armadura de desapego, que cobriu todo o seu corpo; escondeu seu desespero. Se armou de coragem, e foi ferir meu mundo. Missão cumprida, não soldado?

  Se despiu outra vez, só que não de defeitos. As mãos de uma pessoa qualquer lhe despiam de mim. Dos meus braços que sempre funcionaram como um manto protetor em volta do seu corpo frágil. Você não parecia sentir frio ou vergonha, apesar de estar completamente exposta aos perigos que as missões de guerra lhe traziam.
  Pois saiba que o frio vai chegar, e a vergonha virá de mãos dadas com ela. Elas colocarão um peso exorbitante sobre os seus ombros 'frágeis', fazendo você se ajoelhar, e implorar pelo seu manto protetor. Assim, uma vez mais vou te vestir com ele, e te despir da vergonha, do orgulho, do medo, e tudo de ruim que trouxer. Nesse dia, soldado, você vai ganhar uma medalha, para guardar como lembrança do que aprendeu e viveu.

  Atenciosamente,
  Seu eterno capitão.

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