quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ela

Ela é isso, aquilo, e tudo mais. Ela é vento, é chuva, temporal ao mar dos olhos. Ela é mutável e se encaixa em tudo. Sereia do mar cinza do desejo latente, de bagunçar os lençóis; lençóis com cheiro de paixão mal-acabada, abandonada aos prantos pelos amantes mais ansiosos deste mundo - ou do outro.
Ela sobe ela desce, ela pensa escalar. Anda por aí, chicoteando seu ouro ao ar.
As estrelas brilham sob seu corpo na nossa noite imaginária, deixe fluir a certeza literária e fingiremos que a noite se muda para Terra do Nunca, onde desejos são tão infindáveis quanto esse tal de amor, de que todos falam.
Ela quer esperar, mas não aguenta; seu sangue sobe e jorra como água.
Ela é o barulho mais surdo, dos suspiros mais errantes até a luxuriosa voz doce, como o mel das colméias nulas.
Ela é, ela é, ela é.
Ela é pensamento que foge, se esvai como espuma; mas também volta quando quer, armando-se de plumas.
Sua vida, seu lugar, indefinidos como seu eu. Não há filosofia que a explique, história que a conte nem crítica que a mude.
Ela é um desastre natural, de causas naturais e consequencias naturais. Naturalmente calma por poder nos deitar.
Vem mergulhar, sinta-se livre! Liberdade não a consome, não é capaz de subir à cabeça, nem é tão boa assim, e nem há nada que ela esqueça.
Ela é a primeira, a última, a terceira, a quinta: ela é tudo. Tudo de todos. Minha. Minha. Minha.

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