Num dia típico de São Paulo, vi um avião no céu. Era ela indo embora, para bem longe de mim.
Assim que o avião sobrevoou minha cabeça, senti uma gota salgada cair em mim, como o pranto de alguém que se vai a contra gosto.
Tentei não dar atenção, mas não consegui. Aquele avião parecia estar perto demais de mim; o som de suas turbinas interromperam minha conversa comigo mesmo.
Não pude ignorá-lo, assim como não pude ignorar que, à bordo dele, estava minha esperança de um novo amor, sem passagem de volta no bolso do casaco.
Escrevi canções para lidar com a saudade, sabe... Com elas aprendi a enfrentar esse mostro que tentava, diariamente, me rasgar de dentro para fora. Mas, em nenhuma canção, ou em qualquer coisa que eu tenha escrito, eu falei sobre vê-la de volta aqui, nessa cidade.
Hoje estou querendo saber o que fazer com isso. Com o fato dela estar apenas a algumas estações de metrô de mim, esperando - quiçá tão ansiosa quanto eu - o dia do encontro. O dia de ver o que mudou nos nossos rostos e corpos, depois de mais de um ano sem contato físico; dia de ver como a voz vai soar sem as interferências da linha telefônica; dia de ver o que acontece, se acontece e como acontece. É o dia, meu bem, de olhar nos olhos e dizer, sem subterfúgio para as palavras. Daremos, então, a cara para bater, seja lá para o que for. Só não sei bem como. Só sei que, quando ela embarcar no avião de novo, eu não quero ter deixado nenhuma dúvida.
"Na bagagem, ela levou o destino,
Que eu tanto demorei para redigir.
Deixou-me aqui, perdido.
Como um piloto sem coordenadas para seguir.
Ou como um sonhador,
Prestes a acordar."
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