quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Sobre o Sonho

Quisera eu ter nascido com o sonho de ser advogado! Médico, dentista, engenheiro ou arquiteto. Quisera eu ter um sonho comum, com um caminho mais simples de se seguir. Seria só estudar, achar um bom emprego, encontrar uma mulher, ter uma casa, filhos e um golden retriever. Ah! quisera eu...
Nasci dissonante, como um dó sustenido que não se encaixa na escala. Nasci complicado, com um sonho tão utópico quanto viver de amor. Mas, espere aí! Eu quero viver de amor. Amor pela música que me acompanha desde sabe-se lá quando. Nasci para dedilhar as cordas em busca de uma melodia que expresse meus sentimentos; nasci com palavras certas para usar com pessoas erradas. Nasci numa cama de partitura, que eu mesmo desenhei anos antes de encarnar nesse orbe. Nasci peixe, sonhador, maluco e caçados de sons. Assim permanecerei, nem me custem os neurônios. Nasci assim, meio sem rumo, sem saber se vou ter dinheiro para pagar todas as contas no fim do mês. Mas, não em vão, nasci com uma resignação e coragem que não possuem tamanho. Nasci para lutar, cair, levantar e vencer. Não há nada que possa me dissuadir.

Eu sou o som do violão velho
Que insiste em embalar os nostálgicos;
Sou o piano desafinado
Que a criança toca com fascínio;
Sou cada palavra nova
Na boca do que aprende a ler.
Sou um sonho que não acaba.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

"Não tenho tempo para dar", disse Cazuza. Eu também não.

Plutão

Então foi assim que Plutão se sentiu ao ser rebaixado diante dos outros planetas: como se não devesse viver ali, no mesmo lugar que eles, porque ele simplesmente não podia. Não era como eles, tão bom, bonito e grande. Jamais fora objeto de estudo de ninguém. Plutão apenas existia e ocupava espaço.

Eu sou Plutão.
Sexo.
Ainda não acredito em você, nessas conversas e em todos esses meus pensamentos. Não podem ser de verdade. Não existe uma felicidade tão iminente assim para ninguém.


domingo, 20 de janeiro de 2013

Deixa eu dizer, então. Deixa eu olhar no fundo dos seus olhos e te fazer acreditar ue eu não minto. Eu não minto e jamais mentiria, meu amor. Jamais te deixaria sofrer em silêncio com já fizeram. Deixa eu te dizer...
Eu só queria poder despejar esse coração inchado no teu colo pra você sentir ele pulsando quente e ritmado em você. Assim você veria a verdade irrevogável.

Nonsense ll

Não gosto de me sentir vazio como agora. Sentir que depositei esperança demais em algo que não vai vigorar. Sentir como se eu tivesse pensado demais em algo que só existe na minha mente. Eu já cansei de me sentir assim.
Gostaria de ser menos impaciente, impulsivo, e dar as coisas o tempo devido e lembrar que não posso vencer sempre. Uma noite ou outra eu vou dormir como perdedor. Esse tipo de coisa ajuda a não deixar o sucesso subir à cabeça e transformar-me num ser desses confiantes, que acham que são os donos do mundo. Preciso aprender a lidar comigo mesmo antes de lidar com os outros.
O mais complexo nisso tudo é que você descobre que o problema está aí dentro, no seu próprio peito, escondido em algum medo que se sobrepôs de cobertas velhas para ser ignorado. Não podemos deixar ele vencer. Temos de mudar o que há de ruim na gente. Temos que desabafar para poder fazer alguma coisa pela vida. Temos que, pelo menos uma vez, não fazer sentido algum, como não estou fazendo agora, para perceber que o único sentido da vida é sentir-se só para ver quem é você de verdade.

Aproveite a solidão e se descubra, meu amigo.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Perdi o Foco

Num dia típico de São Paulo, vi um avião no céu. Era ela indo embora, para bem longe de mim.
Assim que o avião sobrevoou minha cabeça, senti uma gota salgada cair em mim, como o pranto de alguém que se vai a contra gosto.
Tentei não dar atenção, mas não consegui. Aquele avião parecia estar perto demais de mim; o som de suas turbinas interromperam minha conversa comigo mesmo.
Não pude ignorá-lo, assim como não pude ignorar que, à bordo dele, estava minha esperança de um novo amor, sem passagem de volta no bolso do casaco.

Escrevi canções para lidar com a saudade, sabe... Com elas aprendi a enfrentar esse mostro que tentava, diariamente, me rasgar de dentro para fora. Mas, em nenhuma canção, ou em qualquer coisa que eu tenha escrito, eu falei sobre vê-la de volta aqui, nessa cidade.

Hoje estou querendo saber o que fazer com isso. Com o fato dela estar apenas a algumas estações de metrô de mim, esperando - quiçá tão ansiosa quanto eu - o dia do encontro. O dia de ver o que mudou nos nossos rostos e corpos, depois de mais de um ano sem contato físico; dia de ver como a voz vai soar sem as interferências da linha telefônica; dia de ver o que acontece, se acontece e como acontece. É o dia, meu bem, de olhar nos olhos e dizer, sem subterfúgio para as palavras. Daremos, então, a cara para bater, seja lá para o que for. Só não sei bem como. Só sei que, quando ela embarcar no avião de novo, eu não quero ter deixado nenhuma dúvida.

"Na bagagem, ela levou o destino,
Que eu tanto demorei para redigir.
Deixou-me aqui, perdido.
Como um piloto sem coordenadas para seguir.
Ou como um sonhador, 
Prestes a acordar."

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Poucas Palavras

Penso no querer e no sentir com dois sentimentos diferentes. Quando penso em você, os dois são um só.

Quero te sentir, então.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O que é isso, por baixo da pele?
Dói. É vazio.
É fome?
É medo?
Dói demais.
É angústia, agonia.
Não sei que nome dou. Há um pequeno monstro por baixo da minha barriga e ele está gritando ferozmente comigo. Bichinho atroz!

É tão vazio e tão cheio... Dói demais.