sábado, 28 de janeiro de 2012

Mais

  Faz frio, e a madrugada se instalou. Já rezei, e já tranquei as portas.
  Agora eu deveria estar dormindo, mas minha mente estava chamando esse pedaço de papel para uma pequena conversa.

  Ando pensando muito sobre o tempo, e sua maneira de se comportar. O tempo não passa quando nós queremos.
  Parece que eu me prostrei sob o ponteiro do relógio, que indica que são três da manhã, e por lá eu me congelei. Desde Agosto, eu diria. 
  
  Eu tô no meio de um drama de uma novela mexicana mal dublada, e algum filho da puta pausou no meio de uma cena de pura sofreguidão. Quase posso ouvir os violinos da trilha sonora...
  Tenho passado meu tempo quase todo torcendo para alguém avançar para a parte do 'um-ano-depois', mas pelo visto a minha audiência é composta, basicamente, por sádicos, que adoram assistir enquanto eu agonizo. Se o tempo passasse, eu já estaia na parte do 'felizes-para-sempre'. Estaríamos, na verdade.

  Na verdade isso não é novela, e eu não estou deitado num ponteiro de um maldito relógio. Tô só deitado no meu sofá, com insônia, rasurando um pedaço de papel, e morrendo de saudade. A única verdade é que nunca - em toda a minha não tão extensa vida - eu quis tanto que o tempo passasse. E só por isso o maledicente continua me deixando no mesmo lugar: nesse sofá vermelho, na minha sala iluminada. Com a paciência diminuindo, e o frio aumentando. 





  Revenez nous voir bientôt.







terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Medo, Você, Medo, Nós.

  Tenho medo. Medos, na verdade.
  Tenho medo de mim, e de você. Tenho medo, porque sei que posso estar esperando por um dia que não vai chegar. Tenho medo por nós. Pela ínfima possibilidade de estarmos perdendo um tempo valioso das nossas vidas, que já não são muito agitadas. Tenho medo do escuro, e medo de que você saiba.

  Tenho um medo enorme de que você passe reto por mim. Que não me reconheça, ou finja não me ver.
  Tenho medo que no dia que você chegar - se chegar - não saibamos o que fazer. Tenho medo de viver demais, e no fim das contas ter vivido em vão. Tenho medo de errar, e que você me veja errando... Quero acertar, e quero que meu acerto seja comemorado do seu lado. Com um abraço seu, e um daqueles sorrisos estonteantes e tão raros, que só você dá. Linda, menina. Menina linda.

  Tenho medo de você vir, e voltar.Tenho medo de ser pra sempre. Tenho medo de 'deixar rolar', e rolar junto. Tenho medo disso tudo virar uma bola de neve. Tenho medo de você nevar no meu calor, e me congelar. Tenho medo de mudar, e você estagnar. Tenho medo de estagnar, e você mudar. Se mudar. Nos mudar.

  Tenho medos demais para um texto só.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Incompleto

  Cê se perde na rotina, sabia? Cê acha que tá tudo indo bem, mas não tá. Na realidade, o mundo tá acontecendo e não tá te esperando. E o pior: você vê tudo por uma enorme janela, e se satisfaz, afinal, viver a vida cansa. Machuca. Entedia.

  Cê se vê fazendo as mesmas coisas todos os dias: acorda, escova os dentes, manda uma mensagem de texto para alguém; acende um incenso para sua santa, faz uma oração; come, fica na internet, lê coisas de pessoas depressivas; pega o violão, faz uma música. Quando cê vê, já virou uma pessoa depressiva a escrever coisas para as outras lerem. E isso já faz tempo.

  

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Último Suspiro do Amor

  E vejam só a novidade!
  Novidade que eu vejo nos jornais desde que as fotos eram em preto-e-branco. Fotos que hoje estão tingidas de vermelho. Meu sangue. Teu sangue. Nosso sangue, que caiu direto das veias de um amor que nasceu com data de validade, e que sabíamos que ficaria um longo tempo no hospital, agonizando. Há poucos minutos ele deu seu último suspiro, e estará nas manchetes pela amanhã, com um longo texto no obituário, escrito por mim: seu criador, e seu assassino.

  Mas eu olhei nos olhos desse amor, antes de matá-lo. Precisava de mais do que uma ou duas fotos em sépia: precisava da memória daquele último brilho nos olhos, antes do último eclipse daquela surrada lua.
  Gravada a imagem, fui embora. E não volto mais ali.

  Fique bem, meu amor, onde quer que esteja. Saiba que só te matei por não querer mais te ver sofrer; aguentarei esse carma sem reclamar, e pagarei por isso, se necessário. Essa é a vida.
  Não te preocupe, que eu sei que você vai renascer. Com certeza em braços mais saudáveis, e que saibam te tratar, como eu tratei.E que tenham a mesma disposição que eu tive contigo.
  Meu amor, eu te amei, e pra sempre vou amar; e como uma música qualquer já disse: "Em algum lugar do tempo, nós ainda estamos juntos. Pra sempre. Pra sempre ficaremos juntos."

  Adeus.