sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sociedade Anônima

  Toda vez que escrevo alguma coisa pensando em você, eu leio em voz alta, torcendo para que o vento leve minhas palavras até o andar em que você mora, para que entrem no seu quarto, e penetrem nos seus sonhos, para que, mesmo que eu não envie, você tome conhecimento do que eu escrevi.
  Toda noite, antes dos meus olhos fecharem, eu vejo seu rosto no meio da escuridão; sussurro seu nome, para o meu anjo-da-guarda te levar paz. Torço, também, para que nas suas noites mais agitadas, no meio dos seus devaneios, você se lembre de mim. Que você cante meu nome no meio de uma música qualquer; me coloque no meio de uma história que tenha inventado; ou, pelo menos, imagine como teria sido o seu dia se eu estivesse, por pelo menos cinco minutos, do seu lado.
  Todas as vezes em que eu ando sozinho pelas ruas, presto atenção nas esquinas, procurando você, indo ou voltando de qualquer lugar. Tento sentir seu cheiro, ou pelo menos ver seus cabelos alaranjados ao vento, sinalizando que está atrasada, e com muita pressa.
  Por vezes passei na frente da tua casa, esperando ver você da janela. Esperando que, naqueles poucos segundos de caminhada, você saísse. Eu veria tua cara de espanto, misturada com raiva, desdém, tristeza, alegria, e outros sentimentos que não saberia definir. Você coraria. Trastejaria, por um instante. Acenaria rapidamente, e seguiria o seu rumo que, com absoluta certeza, seria o oposto ao meu.
 
  Certa vez eu te disse: "Você é a Rainha do meu mundo. É você quem coloca ordem nele.". Não acho que você tenha me levado a sério.
  Hoje, meu mundo está sem Rainha, e está um caos. Não há ninguém para governar, e dizer com autoridade o que o povo deve fazer. Não há nem uma simples porção da sua terra no meu mar alucinógeno.

  Dessa vez, como em todas as outras, eu queria que você tomasse conhecimento das minhas palavras.
  

Nenhum comentário:

Postar um comentário