segunda-feira, 4 de julho de 2011

Doce Maria

O barco voa no ar; voa tão alto que até parece apertar meus sonhos. Voa tanto que eu não consigo acreditar que deixei a noiva no altar.
O barco dá voltas infinitas, e flui pela maré de acordes e palavras soltas. Palavras que vieram embaralhadas e se propagariam por uma simples razão: você.
As ideias vem num navio que o ar não carregou. Chove, chove, chove, e a bela moça chegou.
Mãos frias no rosto do capitão, que tinha que tomar cuidado com os aviões, porque estava tão alto que até alcançou o céu.
O céu foi ápice dos sonhos em que eu recebia ódio. Voando de primeira classe na alucinação do peixe ao mar. Vou voar, nadar, correr e caminhar.
Não dá para parar, as palavras saem sem avisar, porque eu não sou mais o dono de nada desde sua mão deixou as digitais na minha pele facial, que desde então congelou. Cada coisa flui distante, e não parece querer voltar. Não volta mesmo, já é tarde para acordar. Dormindo eu sei que vocês vão ficar; esse mundo injusto não pode parar.
Vem, que minha janela tá brilhando de exatidão
de encontro passo a passo
Desse desejo tão escasso
E por isso o barco voa
Porque tem fogo de inverter essa história pro seu lado, pra ter com o que conversar.

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