terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Dimensão astrológica
O dia foi bom. Aquela paixão os inundava. O pôr-do-sol os inspirava, os aguçava.
O clima estava bom, nem tão quente, nem tão frio; Batia uma leve brisa, apenas para fazer os cabelos dela voarem, e deixar a cena mais cinematográfica.
Resolveram ir à um café, e o frio os acompanhou.
Escolheram uma mesa, e ficaram se olhando, olho no olho, e deixaram o cheiro afrodisíaco do café os inundar.
Seus pensamentos e seus desejos estavam espelhados no rosto um do outro, e a sintonia teve sua prova quando o garçom chegou e eles disseram juntos: "Um capuccino, por favor", seguido de muitas risadas e bochechas coradas.
A conversa fluiu, como sempre acontecia. Ela lhe contou segredos, ela confiou nele, e abaixou sua guarda. Enfim o peixe destilou todo o veneno do escorpião; O deixou puro, e o canalizou para o ponto certo: O desejo.
Entre cada risada e cada sorriso, o café esfriava e o tempo passava. Decidiram comer.
Ele prometeu uma deliciosa comida caseira se ela o acompanhasse até sua casa.
Mergulharam então na noite fria que havia lá fora, e andaram sorrindo um para o outro ao longo dos quarteirões.
O casaco dele a servia de abrigo, e seus braços a aqueciam.
Eles chegaram abraçados em uma casa aparentemente antiga, porém muito bonita. Ela logo se acomodou num sofá de couro surrado, em um canto da sala.
Aquele ambiente tinha cheiro de manhã de natal, com um leve toque de cigarros - O que por sinal não piorou em nada o odor -.
Ele foi para cozinha, deixando em seu rosto um delicado toque de seus lábios, fazendo-a corar involuntariamente.
Ela olhou em volta , viu algumas fotos na parede, dentro de molduras tortas e talvez até esquecidas. Viu um violão confortavelmente acomodado numa poltrona no canto da sala. Alguns livros na prateleira, fazendo companhia aos seus CD's e uma pilha desorganizana de discos antigos.
Como se ele tivesse lido seus pensamentos, pediu a ela para colocar alguma música.
Ela olhou tudo o que havia ali e optou por Djavan, que fez a sutil trilha sonora, perfeita para o lugar.
Ela sentou, prestando atenção a música, até que deixou sua mente vagar...
Um cheiro maravilhoso, de um tempero diferente invadiu seu olfato, e a despertou. Ele a chamou em outra sala. Ela seguiu sua voz, e aquele cheiro, e encontrou uma sala com uma mesa não muito grande, meio velha, com dois pratos, alguns talheres e a fonte daquele cheiro: Uma panela, com frango e algum tipo de molho.
Estava maravilhoso! Mas mesmo com a insistência dela ele não contou o segredo da receita.
Voltaram para a outra sala, em meio as risadas de um assunto inacabado. Ele a ofereceu um pouco de vinho, e ela aceitou.
Ela lhe pediu para tocar alguma música para ela no violão.
Ele colocou seu copo no chão, deu a ultima tragada no cigarro aceso em suas mãos, afundou-o em um cinzeiro vazio e empunhou o violão.
Ela se encantou com a beleza dos acordes que ele tocava. Se indignou com a forma que sua voz meio rouca casou com aquela melodia.
Mas nada se comparou com a letra que ela ouviu. Era uma poesia que ela amava, e ele a musicou de improviso.
Ele largou o violão, e tomou um pouco do vinho. Seus olhares se cruzaram, e foram se aproximando...
De repente um calor os inundou.
Uma pressa os atacou. Parecia que o caminho até o quarto não acabava.
Aquele calor estava ficando mais forte, mesmo com os dois despidos.
Ela ficou em sobre ele, linda, nua, perfeita.
Aquele ato poderia ser chamado de tantos nomes, mas foi amor. Eles fizeram amor, mais do que apaixonadamente. Os dois se entregaram, um ao outro.
O tempo passou. Poderiam ter sido horas ali, noites, dias, mil sóis queimaram naquela cama, e o amor continuava ali.
Eles acabaram, ele foi buscar algo para tomarem. Seus corpos suados se separaram então, absurdamente extasiados.
Ele voltou com dois copos de chá gelado, e a viu, nua, de bruços, adormecida.
Sentou ao lado dela na cama, e começou a desenhar de leve seus dedos sobre suas costas brancas, que obtiveram a mais perfeita cor sob a luz do luar, que entrava pela janela aberta...
Lhe deu três beijos na pele suada, e foi buscar o violão.
Jamais existiria momento mais inspirador do que aquele. Começou a tocar, de frente para ela, que aquela altura já estava acordada.
E assim ficaram, se contemplando até o dia amanhecer...
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