sábado, 9 de novembro de 2013

Abracei as palavras há muito tempo. Deixei que elas tomassem cada canto do meu corpo e as uso de várias formas, porém sempre com o mesmo objetivo: fazer com que elas achem morada em outro alguém ao sair de mim. Não existe sensação melhor nesse mundo do que saber que algo que eu disse, escrevi, cantei, desenhei em algum muro ou por qualquer outro chegou a alguém, surtiu efeito e causou na pessoa algum tipo de ajuda e/ou claridade diante de uma situação difícil. 
Hoje, minha missão foi executada com êxito. Não poderia me sentir melhor.
Que venham mais corações para confortar!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Guardei amor por muito tempo. Nutri esperanças por muito tempo. Não via a hora de despejar tudo isso pra fora de mim, em cima de alguém que recebesse tudo isso e fizesse o mesmo comigo. Aí eu te encontrei, Lívia, e o fiz. Me permiti de forma absurda. Jamais deixara meu coração tão aberto, tão disposto, tão sensível e frágil à luz de outrém. Jamais, em toda a minha história, alguém me fizera querer estar assim. Me lembro da maravilhosa sensação intensa de viver tudo aquilo. De pensar em você dia e noite, como se nada mais importasse. E realmente não importava. Meus dias se coloriram de forma assustadoramente rápida e tudo que eu fazia era em função de ver teus olhos negros outra vez.
Acordava cedo, comia direito. Pensava em trabalhar, estudar. Escrevia como Vinícius no alto da bebedeira, porém sem uma gota de álcool. Embriagado única e exclusivamente pelas nuances alucinógenas de estar apaixonado.
As coisas fluíam com facilidade e eu realmente me sentia próximo ao meu eu verdadeiro; meu eu amante, louco, sonhador, que faz de tudo por amor. Acho que jamais fora tão eu...
... Até que você me mostrou que não podia receber tudo isso. Não de mim. Mostrou que você não era quem eu via e tão pouco gostaria de se mostrar de verdade pra mim. Tudo se desfez. O castelo de cartas caiu no sopro do Destino fiel que nos colocou no mesmo lugar, no mesmo dia e na mesma hora. Tudo isso na mais rápida fração de segundos que o olho humano pôde captar. Meu instinto, meu último suspiro de amante fiel foi desejar-te mais amor e mais felicidade pra sua vida. E ali, naquelas últimas palavras, eu morri.
Não gosto de quem sou hoje. Não sinto como se meu sangue pulsasse veloz o bastante. Me sinto frio, distante, terreno, abandonado. Me sinto como um caramujo escondido dentro da própria carapaça, afugentado pelo mundo do qual apenas ouviu falar. Esqueci-me das belezas que conheci, dos planos que fiz. Não me lembro como é pegar numa caneta e sentir meus escritos fluírem feito chuva para o papel. Hoje sinto como se eu sangrasse pelas linhas, forçando cada sentimento a sair por necessidade.
E o amor? E meu sonho de amar loucamente e despejar tudo? Foi-se.
Foi como se você, Lívia, tivesse desligado um interruptor que só você sabe onde está. Por mais que eu queira sair daqui de dentro, por mais que eu queira me permitir de novo, eu não consigo. Eu tento tanto, eu quero tanto. Sinto como se algo me prendesse dentro de outro corpo. Sinto como se essa casca que eu uso não me pertence e que essa vida é só para ser vivida pelos outros de outro que não eu. Eu não sou assim. Eu não era assim. Eu não quero mais ser assim.
Não sei ao certo se isso voltará ao normal. Não sei se esse meu interruptor é alguém que ainda não conheci ou se isso é um estado permanente. Se agora vou apenas amar pela metade, aos pedaços e às vezes. Se só vou permitir um pouco e quase nunca. Se só vou escrever vomitando e necessitando.
Também quero ser feliz. Quero me arrepiar de alegria e não caber mais em mim. Quero transcender meu corpo com o ardor da felicidade que não cessa de forma alguma. Quero amar como jamais amei e que isso seja bom. Quero compor sinfonias para ouvidos que queiram ouvir. Quero voltar pro meu corpo e me amar de novo.
Sinto, cada dia mais, como se eu precisasse de redenção e como se só eu pudesse oferecê-la a mim mesmo. Eu sou o culpado, o carrasco e o louco.

Hei de me encontrar e não mais me perder.