sábado, 29 de junho de 2013

Eu procurava alguém que me fascinasse; você também.
Eu procurava algo que me tirasse o fôlego; você também.
Eu procurava um amor transcendental; você também.
Eu procurava algo maior do que tudo que eu havia conhecido; você também.
Eu procurava uma história para escrever; você também.
Eu procurava um sentido pra minha vida; você também.
Tínhamos os mesmos desejos, exceto por um: eu desejava você, sem reciprocidade.

Você achou alguém que lhe fascinasse; não sou eu.
Você achou alguém que lhe tira o fôlego; não sou eu.
Você achou um amor transcendental; não sou eu.
Você achou algo maior do que tudo que já havia conhecido; não sou eu.
Você achou um protagonista pra sua história; não sou eu.
Você achou um sentido pra sua vida e eu continuo perdido.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Aos Pedaços

O querer é algo estranho. Sinto como se, inconscientemente, eu estivesse procurando outra você por aí. Eu procuro colocar outras mulheres, tão diferentes e tão boas às suas maneiras, diante de espelhos para buscar o seu reflexo. É tão óbvio que isso não será encontrado que chega a ser triste.
Uma barreira invisível se criou aqui, em mim, impedindo que outros possam chegar até meu peito. É como se eu tivesse criado anti-corpos para os sentimentos bonitos e puros. Isso torna tudo tão massante e ridículo que chego a achar que a solidão me abraçou e não mais soltará.
Que figura de linguagem posso usar para expressar o fato de querer alguém e não conseguir buscar isso em nenhum lugar? Parece que eu já ouvi todos os sonhos e já gastei meus papos com pessoas demais. Parece que a preguiça sentimental me alcançou.
Sinto como se não fizesse diferença alguma o fato de outra pessoa gostar de ler o mesmo que eu, ou ter passado por coisas parecidas. Nada mais é novidade. Me acostumei às pessoas comuns desses dias e ninguém mais me surpreende. Depois do teu, nenhum outro sorriso foi esplêndido o suficiente para me tirar o sono. Nenhum olhar me desarmou a ponto de me render. Nenhuma conversa foi tão animadora quanto o teu silêncio feliz.
E, também, que tenho eu a oferecer? Sou como um instrumento usado, que passa de mão em mão, apenas enquanto o dono não consegue comprar um novo para dar seu toque. Estou cheio das tuas impressões digitais que não há limpeza que tire. Me pergunto se vou soar bem noutras mãos...
O querer é algo normal. Estranho é não poder querer, não conseguir. Hoje eu me sinto como a metade de um coração que ainda pulsa por pura teimosia. Como um quebra-cabeça de nível tão complicado que ninguém se atreverá a tentar montar.

"Sou essa alma inacabada, a construir."

sábado, 8 de junho de 2013

Carta pra Guria

Saudade nem sempre é bom. Quase nunca, na verdade.
Eu costumava reclamar do quão longe você vivia, da distância sádica que nos separava, mas eu jamais, em momento algum, percebi que a maioria desses quilômetros eram criados por mim. Você sempre esteve perto, até demais, para os seus padrões. Você me deixou entrar e eu não entrei. Dei meia volta por puro medo. Hoje você realmente está longe; longe que eu não posso ir. Longe onde eu nem sei como você está.
Ah! guria... Eu mudei o curso das coisas sem nem pensar. Fui humano demais e errei. Errei logo com quem eu não deveria errar.
Hoje eu enxergo as coisas com um pouco mais de clareza, sabe... Sua insegurança era insana, mas a minha era real. Você tinha medos demais, mas tentava ser maior do que cada um deles, à sua maneira. Se eu soubesse que seu riso era raro, eu não cobraria gargalhadas. Se eu soubesse que sua tagarelice era casta, eu não cobraria silêncio. Se eu soubesse que seu amor era assim, quietinho, tranquilo, eu jamais cobraria insanidades densas e destrutivas de você. Se eu soubesse que você queria, eu não teria guardado meus beijos para a mentira.
Desculpe, guria. Hoje sinto sua falta, mas sei que não devo incomodá-la. Sua vida seguiu o curso e o destino do seu barco não é meu cais.

Suave e saudosamente,

Pierrot.