quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Tempos

Gostaria que tivéssemos vivido nos anos 50. Eu te pagaria um milkshake, roubaria um beijo ou dois, bem rápidos, e dançaríamos ao som do rock'n'roll. Seríamos tão felizes que isso não caberia em nós.

Seria bom se tivéssemos vivido nos anos 60, também. Viveríamos sempre embriagados de amor e álcool e todos os ácidos possíveis. Cantaríamos "Help!", dos Beatles, bem alto, para espantar todo o mal.

Ah! E os gloriosos anos 70? Nós dançaríamos numa discoteca até cair, ou faríamos amor alucinados ao som de Pink Floyd? Faríamos tudo, ma belle.

Mas não. Estamos aqui, em 2012, sem saber o que vai acontecer. Eu aqui e você aí. Tão longe e tão perto do outro, sem poder fazer história e deixar as gerações futuras com vontade de ter vivido a nossa época.

Essa história ainda tá sem desfecho.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Mais Antigo Que Nossa Alma

Há quanto tempo nos conhecemos? Acho que já se foram alguns milênios desde que te vi pela primeira vez... Eu não lembro, mas minh'alma lembra. Só sei que não é dessa vida, não.
Há quanto tempo nos apaixonamos? Aposto que foi há muito tempo, numa Europa pré-Cristã, onde os homens eram tão bárbaros que não sabiam amar (mas nós sabíamos, ma belle). Nosso amor é mais antigo que a nossa alma.

Ninguém vai me convencer que essa é a primeira vida que eu te quero perto; ninguém vai me provar que não estamos aqui para continuar o que o tempo nos tirou, em outros tempos. Pode até demorar, mas nosso dia chega - como, tenho certeza, já chegou em algum dia do passado.

Podemos dar mil voltas no amor, mas na última volta ele nos ultrapassa e nos vence. Quando isso acontecer, a história vai se repetir e continuar. Vamos amar como nunca imaginamos ser possível; como John e Yoko; como Dom Quixote e Dorotéia; como Dante e Beatriz.

"Seríamos eu, você, e o resto é nada mais"

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A Criança e a Tomada

Sou uma criança; engatinhando pela casa, fuçando tudo que é novo, encontrei um quadrado em relevo na parede, que tinha algo como um focinho de porco no meio. Uma vontade súbita de sentir a textura daquilo me dominou. Levei minha mão em direção àquela figura atrativa e - como todos devem ter imaginado - levei um choque. Ah, mas como eu chorei! Gritei, esperneei, até que o susto do choque passou. Fiquei emburrado para o tal focinho de porco na parede. Voltei a engatinhar pela casa.

Não muito tempo depois, passei pelo mesmo lugar e vi a mesma figura que, ao invés de ter me causado repulsa, me atraiu novamente. Outra vez o choque, o choro, os gritos.

Com você é a mesma coisa: levo um choque, ando por aí até esquecer e te encontrar de novo; quando encontro, tudo é tão lindo que até esqueço o que me fez ir por aí, sem rumo. E é nesse momento que o choque vem - e vem forte. É como se eu estivesse submerso numa piscina e alguém jogasse um rádio ligado dentro (a única diferença é que eu sempre sobrevivo). Dói demais.

Mas, afinal, eu sou uma criança. Vou dar mil voltar por aí, até te achar de novo e levar outro choque. É como a tomada, mesmo: eu sei que dói, mas a vontade de te ter nas mãos é maior. É sempre maior.

domingo, 12 de agosto de 2012

(Des)conforto Caseiro

Te vejo como a minha casa, ma belle: o lugar onde eu mais me sinto confortável no mundo. Dou mil voltas por aí, experimento novas paixões, durmo em camas sem travesseiro, mas nada - repito: NADA - me faz sentir mais confortável do que estar perto de você, mesmo que tão de longe.

"Ah, mas isso é bom!", deves pensar. Não, não é. Esse "tão de longe" é o que acaba fodendo majestosamente com toda a metáfora. Longe não basta mais. Acho que nunca bastou.


Não me espere. Acho que não vou dormir em casa essa noite.