sábado, 1 de outubro de 2011

Promessas

  Me promete que vem?
  Se prometer-me eu juro só pensar em ti.
  Desejar cada dia mais;
  Prometo jurar coisas que façam existir paz no meio desse caos.
 
  Aguento teu ocasional desdém; peço-te para ficar mais cinco minutos. Digo até que só tenho olhos para ti! Prometa-me que vem.
  Se eu prometo que vou? Só se me der um lugar para dormir, e prometer mostrar-me a beleza desse teu lugar.
  Ah, vamos prometer juntos! Vamos seguir nessa estrada longa, dessa encarnação louca que nos foi dada.

  Eu poderia até jurar-te meus longos versos. Pintaria nossos nomes, lado a lado, nesse sonho azul que embala minhas noites.

Esses Tempos

  Tô tão sem rumo esses tempos... Não sei mais de nada na minha vida. Apenas estou me deixando levar por essa maré, que hora sobe, hora desce.
  Tô tão sozinho esses tempos... Tô sempre rodeado de gente, mas ninguém parece me entender, embora muitos tentem.
  Tô tão carente esses tempos... Tô sempre recebendo abraços, mas no fundo eu sei o que eu realmente quero, e de quem eu quero. E isso eu não posso ter; nem sei se vou poder ter de novo.
  Tô tão melancólico esses tempos... Tô tendo ondas de tristeza sem motivo; sem nome; sem rosto. Ou talvez até tenham, e sou eu quem quer ignorar isso.
  Tô todo cortado esses tempos... Tô cheio de cortes profundos que os seios 'amigos' me fizeram.
 
  Tô tão dramático esses tempos...

domingo, 25 de setembro de 2011

Sufoco

  Tá na hora de viver. Na verdade já passou da hora. Passou da hora de tentar; de tentarmos, na verdade. 
  Deixando tudo para depois eu corro riscos, que infelizmente me encontro impossibilitado de transpor. Mas sejamos sinceros: depois de cada barreira que eu superei, depois de cada desencontro que nós tivemos, depois de cada cigarro para queimar o medo, o que são alguns riscos? Riscos são tempero agridoce nesse conto de Carochinha que virou minha vida.
  Então me diz que vamos arriscar. Me diz, por todos os seus sonhos, que você aceita as condições dessa minha vida. Que aceita vir até o topo dessa minha montanha de dor, e morar aqui um tempo.
  Vamos arriscar, eu preciso disso.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Alô

 "Há quanto tempo estou aqui excluída, sem falar com ninguém e desligada do mundo lá fora?" se perguntava a guria. Já havia perdido as contas do número de horas que ficou a esperar por alguma notícia... Alguma carta, ou pelo menos um telefonema, só para dizer que estava tudo bem.
  Uma lágrima solitária escorreu por seu rosto de alabastro.
  Ao longe ela ouviu uma voz familiar chamar seu nome. "Teu telefone toca, querida!" dizia a voz. Ela correu para atender.
  "Alô." ninguém a respondeu. Ela insistiu; nada.
  O telefone fez barulho de ocupado. A pessoa do outro lado desligou.  
  "Por quê?" ela se perguntava. Não sabia. As lágrimas apenas foram voando de seus olhos. Ela continuava sem notícias do mundo lá fora. Sem nada que a motivasse.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ma Belle II

  Só o seu 'talvez' tá me bastando. Tô esquecendo todas as minhas outras preocupações embaixo desse tapete de incertezas, no qual você anda de um lado para o outro. E eu só acompanho com meus olhos.
  Sento contigo nessa gangorra que tem sido o futuro, e dou risada das tuas constantes hesitações; eu acho que deveria me preocupar com as tuas decisões, mas desisti disso. Afinal, o que tiver de ser, será. Nem mesmo as tuas amargas decisões podem mudar isso, ma belle.
  

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cadê?

  Cadê você? Já olhei pela casa inteira e não encontrei nada seu.
  Cadê você? Já perguntei pela vizinhança, e eles nem parecem te conhecer.
  Cadê você? Acho que você ficou com meia dúzia de sentimentos meus.
  Cadê você? Se você foi embora, podia ter ao menos deixado um bilhete.
  Cadê você? Já revirei as bitucas do meu cinzeiro, procurando alguma com a marca do teu batom.
  Cadê você? Já entornei tantas garrafas para acabar com a solidão...
  
  Acho que já está na hora de você voltar, de onde quer que você esteja. Não aguento mais esse vazio que você deixou no lado direito da cama. Volta, vai?!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Destino

  Abri minha porta, e me deparei com a minha casa completamente bagunçada. Minhas gavetas estavam reviradas pelo chão... Eu sentia um cheio de queimado... Fui entrando pela casa, e vi que tudo o que havia de valor material estava intacto; descartei a possibilidade de assalto.
  Entrando no meu quarto me deparei com a fonte do cheiro de queimado: uma cesta de lixo, completamente lotada de cinzas, com um bilhete numa folha vermelha logo ao lado, que dizia:
  "Aqui eu queimei todas as fotos que você não tirou, junto com as cartas que você não recebeu. Acendi o fogo com a chama de uma paixão que nem teve tempo de nascer; quebrei aqui, também, alguns vídeos de viagens que você nunca fez, que acredito, não vão lhe fazer falta.
  Atenciosamente, Destino."
  Descobri que foi o maldito Destino que invadiu minha casa dessa maneira, apenas com o propósito de destruir tudo o que eu nem ao menos construí.
  Obrigado, Destino, por magoar meu coração que nem chegou a pulsar.